Publicado 07 de Dezembro de 2018 - 16h50

Por AFP

O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (7) duas indicações importantes para o seu governo no Departamento de Justiça e na ONU, em um dia no qual são esperadas novidades da investigação sobre a trama russa.Trump indicou para procurador-geral William Barr, que repete o cargo que havia exercido durante a presidência de George H.W. Bush na década de 1990. "Ele era a minha opção desde o primeiro dia, respeitado pelos republicanos e pelos democratas", declarou Trump, que no início do mês e logo depois das eleições de meio de mandato demitiu Jeff Sessions, decisão que deu espaço a questionamentos sobre a investigação em curso de um suposto conluio com a Rússia na campanha presidencial de 2016.Barr, de 68 anos, ainda deve ser confirmado pelo Senado, como prevê a Constituição americana, e levando em consideração o calendário legislativo, é pouco provável que assuma suas funções antes do ano que vem. Em um momento em que Washington fervia de rumores sobre a sua indicação, o senador republicano Richard Burr disse na quinta-feira que "ele seria uma boa opção". Trump começou o dia com uma série de tuítes contra a investigação liderada por Robert Mueller sobre o suposto conluio entre a sua equipe de campanha e a Rússia. Sessions, que havia apoiado Trump desde a campanha, sentenciou o seu futuro no cargo de procurador-geral quando decidiu se afastar da investigação sobre a trama russa.Desde a saída de Sessions, o cargo era ocupado interinamente por Matthew Whitaker. "Ele é um homem fantástico, uma pessoa fantástica", afirmou Trump sobre o seu novo procurador-geral em um dia no qual também confirmou a ex-jornalista da emissora FOX News Heather Nauert como sua embaixadora na ONU, substituindo Nikki Haley. Barr passou os últimos 25 anos no setor privado na área de telecomunicações, primeiro na GTE Corp e depois em sua sucessora, Verizon. Mas antes foi um funcionário prodígio e nomeado como assistente do procurador-geral pelo então presidente George H.W. Bush em 1989. Um ano depois ascendeu ao cargo de adjunto e em 1991 foi confirmado no comando do Departamento de Justiça. Neste departamento, Barr teve um papel especial outorgando à administração o apoio legal para a invasão do Panamá a fim de derrubar o ditador Manuel Noriega. Também trabalhou junto com a Escócia para investigar o ataque contra o voo 103 da Pan Am. - De jornalista da Fox News à ONU -Nauert, que começou a desempenhar no ano passado a função de porta-voz do Departamento de Estado sem ter experiência política anterior, é uma mulher "muito talentosa" e "muito inteligente", disse Trump na Casa Branca. "Acho que será respeitada por todos", afirmou. Formada em Jornalismo na Universidade de Columbia, esta mulher de 48 anos fez a sua carreira na televisão na emissora ABC e especialmente na Fox News. Se a sua indicação for confirmada pelo Senado, voltará a Nova York, onde fica a sede das Nações Unidas. Diferentemente de Haley, não espera-se que ela tenha status de gabinete, o que significa que as decisões de política exterior se manterão firmes nas mãos do conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, e do atual chefe de Nauert, o secretário de Estado Mike Pompeo.Os primeiros elogios à indicação vieram de Israel, que durante muito tempo contou com os Estados Unidos para vetar resoluções hostis no Conselho de Segurança da ONU. "A senhora Nauert tem apoiado o Estado de Israel em suas posições anteriores e não tenho dúvidas de que a cooperação entre nossos dois países continuará se fortalecendo como embaixadora na ONU", disse o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon em uma oração.Figura central da equipe de Trump, Nikki Haley anunciou de forma surpreendente a sua renúncia no início de outubro. Filha de imigrantes indianos, assegurou então que não será candidata à presidência em 2020 e que dará seu apoio a Donald Trump.

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