Publicado 08 de Dezembro de 2018 - 17h55

Por Rogério Verzingasse

A Casa de saúde de Campina nasceu no final do século 19 para atender às vítimas do surto de febre amarela na cidade

Patrícia Domingos/AAN

A Casa de saúde de Campina nasceu no final do século 19 para atender às vítimas do surto de febre amarela na cidade

A histórica Casa de Saúde Campinas — que nasceu no final do século 19 para o atendimento de vítimas da febre amarela — começa a passar por intervenções que buscam a recuperação financeira do complexo e a retomada da excelência na prestação de serviços aos pacientes. O Pronto-Socorro, o Centro Cirúrgico e setores de cardiologia e neurologia — essenciais — vão receber atenção prioritária.

O comando administrativo da Casa de Saúde agora é do Vera Cruz, outro tradicional hospital campineiro, que há um ano faz parte da holding Hospital Care, que controla estabelecimentos do Brasil todo, e prima pelas inovações tecnológicas e pela capacitação dos funcionários.

O Correio Popular fez uma entrevista exclusiva com o médico Gustavo Carvalho, que há cinco anos é diretor-presidente do Vera Cruz. Além de explicar as mudanças planejadas, ele faz uma revelação importante. Se a Casa de Saúde Campinas não tivesse firmado o acordo que lhe garante o socorro financeiro, ela teria fechado as portas em meados deste ano. Confira os principais trechos da entrevista.

Correio Popular: Quanto o grupo investiu para poder assumir a administração da Casa de Saúde? É um contrato de comodato?

Gustavo Carvalho: Não existe um valor definido de investimento inicial. Vamos injetar capital conforme a necessidade, honrando todos o compromissos com funcionários e fornecedores. Vamos reformar áreas físicas e investir em equipamentos médicos para melhorar a qualidade assistencial. Calculamos um investimento de R$ 25 milhões no primeiro ano. A forma de atuação é por contrato de aluguel da estrutura hospitalar por 30 anos.

Já existe uma “radiografia” da situação da Casa de Saúde? É possível dizer quais são os setores que precisam de modernização e equipamentos? Como está a saúde financeira do hospital?

Estamos fazendo a radiografia agora com intenção de completar até 30 de janeiro. Pela primeira impressão, precisamos investir no Pronto-Socorro, Centro Cirúrgico e áreas de cardiologia e neurologia. Sem a presença do Vera Cruz, a Casa de Saúde já teria encerrado as atividades em agosto de 2018.

Vai haver intercâmbio de especialistas e auxiliares entre os hospitais, ou cada um vai manter sua equipe exclusiva?

Vamos manter as equipes já existentes, acrescentar algumas que não existem e sempre haverá intercâmbio entre os hospitais, tanto na área médica, quanto de funcionários.

Se pensa em contratações adicionais? 

Neste momento, funcionários não, mas médicos sim, pois há falta em algumas áreas. Temos número suficiente de funcionários para dar continuidade à operação e ampliar.

Que tipo de serviço disponível no Vera Cruz que, a partir agora, pode ser prestado ao paciente da Casa de Saúde?

De imediato, temos que primeiro recuperar e qualificar os serviços existentes na Casa de Saúde. Sobre serviços adicionais que hoje não existem, esperamos iniciar no próximo ano, mas ainda não temos prazo definido para isso. Exige investimentos em equipamentos que não são de rápida aquisição e instalações, em cardiologia, neurologia e cirurgia vascular

De alguma forma o atendimento em ambos os hospitais pode gerar economia de gastos ou otimização?

Este é um grande objetivo, principalmente na área administrativa, onde processos financeiros, contábeis e de recursos humanos podem ser otimizados.

O presidente sabe, Campinas sabe, que a Casa de Saúde tem uma importância histórica tremenda na cidade. O grupo que controla o Vera Cruz pretende, de alguma forma, participar de projetos que celebrem a memória do hospital?

Sem dúvida alguma. Esse foi um dos motivos que nos fizeram acreditar e aceitar este desafio, pois a enorme tradição e história desse hospital não poderia jamais deixar de existir, com o seu eminente fechamento. Temos que sempre celebrar e contar a história das pessoas e entidades, pois somente assim conseguimos evoluir como pessoas e sociedade.

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Rogério Verzingasse