Publicado 08 de Dezembro de 2018 - 17h46

Por Henrique Hein

Segundo especialista, o custo do carro compensa apenas para pessoas que se locomovem diariamente para regiões distantes de onde moram

César Rodrigues/AAN

Segundo especialista, o custo do carro compensa apenas para pessoas que se locomovem diariamente para regiões distantes de onde moram

As novas tecnologias mudaram a forma dos brasileiros pensarem, agirem e até se locomoverem, sobretudo depois da chegada dos transportes por aplicativo, como Uber e Cabify. Em meio à crise financeira que ainda persiste no País, muitas famílias passaram a avaliar se a escolha mais barata nos dias atuais é ter carro próprio ou andar de transporte por aplicativo. O Correio Popular foi atrás da resposta e a conclusão é de que trata-se de uma questão variável. Abrir mão do carro próprio pode compensar, dependendo da distância percorrida pelo indivíduo no seu dia a dia.

O professor de economia da PUC-Campinas, Izaias de Carvalho Borges, explica que o custo do carro compensa em relação aos gastos com transporte por aplicativo apenas para pessoas que se locomovem para regiões muito distantes de onde moram. Já para quem faz pequenos deslocamentos diários, sai mais barato andar de transporte por aplicativo todos os dias do que manter um carro. “Quanto menor a distância percorrida, maior passa a ser a vantagem dos transportes por aplicativo, porque o carro próprio tem um custo fixo muito elevado e, muitas vezes, as pessoas não pensam nisso na hora de fazer as contas”, afirmou.

Segundo o especialista, antes de tudo é preciso mensurar os custos do carro para saber em que situações o transporte por aplicativo sai mais em conta. Nesse caso, entram nessa lista as despesas com manutenção, impostos, seguro, estacionamento, multas eventuais e combustível.

Também deve ser considerada a depreciação do próprio carro, ou seja, quanto ele se desvaloriza todo ano e o quanto o dono do veículo deixa de ganhar com as aplicações financeiras. “As pessoas esquecem que a depreciação do veículo pode ser muito elevada dependendo do carro. Hoje um veículo de R$ 100 mil desvaloriza cerca de R$ 40 mil rapidamente”, explicou.

Já os cálculos de gastos com transporte por aplicativo podem ser avaliados somando quanto custa, em média, a corrida nos principais trajetos percorridos pelo usuário no dia a dia: de casa para o trabalho, para o restaurante preferido, academia, casa de amigos e familiares, por exemplo.

Em Campinas, a tarifa cobrada ao usuário é de R$ 0,80 por quilômetro rodado, no caso do Uber. “Nós temos um transporte público muito ruim e tínhamos, até pouco tempo, um serviço de táxi muito caro e demorado. Por causa disso, muitas pessoas compravam carros para ficar andando cerca de 3 a 4 quilômetros por dia.

Atualmente, com o Uber, isso não é mais vantajoso. Existem estudos, inclusive, que mostram que se a pessoa que roda pouco decidir trocar o seu carro por um transporte por aplicativo, ela consegue ter uma economia de até R$ 10 mil por ano”, revelou.

O estudante Nikolas Rigas, de 19 anos, não pensa em ter um carro no momento. Como costuma fazer viagens curtas, a popularização dos transportes por aplicativo caiu como uma luva em sua vida. “O Uber cresceu muito nos últimos anos por causa do conforto, da praticidade e também porque ele é barato. Em muitos casos, vale, inclusive, muito mais a pena para mim pegar um Uber do que pagar uma condução de ônibus”, comentou.

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Henrique Hein