Publicado 08 de Dezembro de 2018 - 17h42

Por Rogério Verzignasse

Trecho duplicado da ferrovia que passa sobre a Avenida John Boyd Dunlop, 
no Jardim Florence 2, em Campinas

Cedoc/RAC

Trecho duplicado da ferrovia que passa sobre a Avenida John Boyd Dunlop, no Jardim Florence 2, em Campinas

Os investimentos no transporte ferroviário são imprescindíveis para a redução do “custo Brasil”: é preciso reduzir os custos do escoamento dos produtos agrícolas, para que os grãos exportados, por exemplo, tenham preços melhores e consigam disputar o mercado mundial. De acordo com o professor Carlos Alberto Bandeira Guimarães, do Departamento de Geotecnia e Transportes da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC/Unicamp), os Estados Unidos já adotaram o modal fluvial para o transporte da soja que é exportada.

“Precisamos de uma matriz logística mais equilibrada, e temos uma geografia e recursos naturais invejáveis”, afirma. “Onde não podemos usar os rios, usamos os trilhos. A estratégia precisa seguir a diversificação. Para cada região, para cada produto, precisamos usar o modal mais vantajoso”, explica.

No caso do Brasil, o potencial ferroviário é historicamente inexplorado. O tamanho da nossa malha é pequeno, se comparado à de outras nações de dimensões territoriais continentais. E o mais grave é que temos menos trilhos que a Argentina, por exemplo, país com menos de um terço de nossa área territorial.

Obstáculos

Para Guimarães, o que barra os investimentos privados na infraestrutura de transportes são os obstáculos burocráticos impostos pelo próprio governo. Ele cita empresas com bilhões disponíveis para a implantação de trilhos, por exemplo, que esperam simplesmente pelo lento processo de renovação da concessão do trecho que elas já exploram.

Ao governo, cita, também cabe aumentar as linhas de crédito para interessados na modernização do modal nacional.

No caso do transporte ferroviário dos passageiros, a ineficiência dos governantes também é nítida. O projeto do Trem Intercidades — previsto para ligar a Capital a quatro regiões metropolitanas do Interior (entre elas a RMC) — esbarra da duplicação dos ramais e em soluções de engenharia ferroviária. “O trem é viável, é necessário, e exige ação”, resume.

Trata-se, na sua avaliação, da solução imediata para o estrangulamento do transporte rodoviário, notado principalmente nas grandes cidades.

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Rogério Verzignasse