Publicado 04 de Outubro de 2018 - 16h18

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Arquivo

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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Uma a cada três mortes no trânsito em Campinas envolvem jovens entre 17 e 24 anos ou idosos com mais de 60 anos de idade. O levantamento feito pelo Correio Popular, com base nos dados do Infosiga-SP, mostram que entre os meses de janeiro a agosto deste ano foram computados 92 óbitos no município, dos quais 31 (16 jovens e 15 idosos) pertencem as duas faixas etárias em questão. Se ampliada para um recorte mais amplo, ao longo dos últimos anos, os números preocupam, já que desde que o instituto começou recolher os dados, em 2015, Campinas nunca apresentou tantas mortes no trânsito envolvendo jovens e idosos. Em 2017, por exemplo, foram 24 óbitos computados na comparação com o mesmo período de 2018.

Segundo o Infosiga, mais de 70% dos jovens falecidos no trânsito nos primeiros seis meses do ano morreram no hospital, logo após serem resgatados com vida. Das 16 vítimas fatais, todas eram homens e mais da metade dos acidentes (55%) envolviam motocicletas – foram dez óbitos, contra sete (39%) dos automóveis. Juntos, sexta-feira, sábado e domingo registram quase dois terços das todas as 16 mortes. Chama a atenção ainda os horários em que os acidentes envolvendo pessoas entre 17 e 24 anos aconteceram, já que a madrugada (0h às 6h) é a recordista, com dez óbitos este ano.

Com relação aos idosos, os dados recolhidos pelo instituto mostram que das 15 mortes computadas, 9 eram pedestres. Todos eles foram vítimas de atropelamentos. Além disso, a maioria tinha mais de 80 anos de idade – foram seis óbitos ao todo. De acordo com o Carlos José Barreiro, secretário de Transportes e presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), todos estes números não o surpreendem, pelo fato dos jovens e idosos apresentarem uma porcentagem de desatenção natural grande.

Ele explicou que “muitos jovens têm aquele sentimento de que porque são jovens, nada vai acontecer com eles. Eles dirigem usando celular na mão, andam em velocidades muito acima da permitida, saem para a noitada e enchem a cara, etc. Isso é preocupante, porque o trânsito não é brincadeira. Por mais que Campinas esteja melhorando seus índices de acidentes e mortes, eu não posso ficar satisfeito enquanto ainda tiver uma morte sequer acontecendo”, ressaltou

Barreiro disse também que o auto índice de acidentes envolvendo idosos está diretamente ligado a falta de uma boa educação de terceiros ao volante. “A maioria das mortes ocorrem por atropelamentos. O motorista, muitas vezes mais novos, não respeitam a sinalização de trânsito, a velocidade da via e, sobretudo, a faixa de pedestre. Os idosos têm uma locução motora menor em função da idade. Não custa nada os outros pedestres ajudá-los a atravessar a rua ou os motoristas pararem seus veículos para que eles possam circular”, pontuou.

Questionado sobre a responsabilidade da Emdec, Barreiro frisou que a empresa realiza todos os anos diversas ações de preservação a vida e de conscientização no trânsito. O secretário afirmou, inclusive, que os números de acidentes com vítimas vêm caindo ano a ano na cidade. “Nós estamos investido muito em medidas de prevenção, como por exemplo, melhorias nas condições de trafegabilidade; investimentos na educação de trânsito, por meio de campanhas e cursos; e também aumentando a nossa fiscalização com agentes de mobilidade urbana nas ruas. Além disso, estamos estudando a implementação de novas câmeras de monitoramento – as mesmas que existem hoje no Centro – em outros bairros da cidade. Elas devem ser implantadas em breve”, revelou.

Realidade

Para checar se de fato os dados de Campinas estavam mesmo caindo ano após ano como o secretário frisou, a reportagem pediu e teve acesso ao caderno de acidentalidade da Emdec, que comprova a afirmação de Barreiro. No documento oficial, o número de acidentes com vítimas não pedestres apresentava constantes aumentos no período de 2003 a 2008. Porém, entre 2009 e 2017, os números sofreram forte queda, caindo de 3.414 acidentes registrados para pouco menos de 1,7 mil em 2017 – uma redução de mais de 100% em menos de uma década.

Os atropelamentos também apresentaram constantes elevações no período de 2003 a 2008, que foi seguido por sucessivas quedas a partir de 2009. Na comparação com 2016, o ano de 2017 apresentou decréscimo de 22,6% nesse tipo de ocorrência. Em 2017, cerca de 52% das vítimas fatais de atropelamentos em Campinas tinham idade acima dos 54 anos, segundo a Emdec.

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Adagoberto F. Baptista