Publicado 04 de Outubro de 2018 - 15h07

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Thomaz Marostegam

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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Há três dias das eleições, o que não faltam são pessoas indecisas em relação ao voto. Para tentar captar a atenção desses eleitores, um dos itens mais vistos nas ruas de Campinas são os famosos santinhos. O material está por toda parte: no Centro, no Taquaral, em Barão Geraldo e até mesmo em bairros mais afastados como o Campos Elísios e o Ouro Verde. As bandeiras, panfletos, cartazes e adesivos também são “armas” nesta reta final, onde o principal campo de batalha são os semáforos e os cruzamentos de importantes vias da cidade. O objetivo de todo esse marketing tem um único objetivo: fazer o candidato conseguir votos suficientes para se eleger. Mas, será que toda essa propaganda tem algum efeito prático no resultado final das eleições? O Correio foi atrás desta resposta.

Com 67 anos, a dona de casa, Maria Rosa de Lima, recebeu inúmeros santinhos ontem a tarde enquanto caminhava pela Rua 13 de Maio, no Centro de Campinas. Na sua visão, o material influencia muita gente. “Eu não levo isso e conta na hora de votar, porque sempre pesquiso os meus candidatos. Mas, como a maioria das pessoas não faz isso, eu tenho certeza que muitos políticos conseguem ganhar a eleição entregando santinhos. É uma pena, porque as pessoas tinham que ser mais bem instruídas”, afirmou.

O estudante Jorge Rodrigues, de 23 anos, conta que ainda não decidiu os seus candidatos a deputado Estadual e Federal. Apesar de nunca ter tido seu voto influenciado por nenhum santinho, ele afirma que alguns amigos já “morderam a isca” nas últimas duas eleições “Eu acredito que a propaganda tenha sim algum tipo de efeito. Falo isso, porque alguns amigos meus não sabiam em quem votar em 2014 e 2016 e, optaram por escolher os deputados e os vereadores deles na base do santinho. Eu tenho a impressão até hoje, inclusive, de que eles nem pesquisam quem era o politico”, pontuou.

Especialista no assunto, a professora de marketing da PUC-Campinas, Camila Brasil, explicou que os santinhos hoje possuem menos peso do que em anos anteriores, por causa das redes sociais, como Facebook e WhatsApp. Segundo ela, a eleição de 2018 apresenta um carácter bastante diferente das anteriores, “É uma eleição mais pobre e com menos recursos, o que faz com que os candidatos optem por campanhas mais baratas do que o de costume. Nesse sentido, o que nós notamos é uma atuação mais direta das campanhas dos candidatos nos meios digitais, sobretudo nas redes sociais, por causa do grande público que esse meio consegue atingir”, disse.

Apesar disso, a especialista explica que os santinhos sempre serão um importante aliado dos políticos que querem conquistar os votos dos indecisos, já que uma boa maioria parcela dos brasileiros não tem acesso à Internet. Segundo ela, o “santinho impresso” tem um efeito muito maior do que as bandeiras e os adesivos, sobretudo, nos eleitores que não apresentam restrição a propaganda partidária do candidato.

“É uma questão de praticidade mesmo. O indeciso recebe o papelzinho pronto, com o nome e o número do candidato. É só ele chegar em casa e anotar o número quando quiser. Se ele se considera petista e está indeciso, por exemplo, e recebe uma propaganda de um candidato do PT na rua, dificilmente ele vai oferecer resistência ou torcer o nariz para o candidato e, nesse sentido, a chance do santinho fazer efeito é bastante plausível. O mesmo já não acontece se alguém que se considera anti-petista receber um santinho de qualquer candidato do PT”, frisou Camila.

A afirmação apresentada por ela, bate de frente com o que fez o estudante Juliano Barbieri, de 22 anos, na eleição de 2014. Ele comentou, que na ocasião, recebeu um santinho horas antes de votar. “Eu sempre me identifiquei muito com as politicas do PT, mas não sabia em quem votar para deputado federal na última eleição. Foi quando eu estava saindo da academia e me deparei com uma pessoa me entregando uma propaganda politica no estacionamento. Como era um candidato do PT e eu nunca tinha ouvido falar nada de ruim daquele cara, eu aproveitei e votei nele, mas hoje acho que não faria mais isso”, revelou.

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Adagoberto F. Baptista