Publicado 04 de Outubro de 2018 - 13h29

Por Rogério Verzignasse

Fotos Thomaz Marostegan

AÇÃO SOCIAL ||| INSTABILIDADE ECONÔMICA

Bom Prato: perfil do usuário

comprova crise econômica

Cresce o número de assalariados que recorrem ao restaurante popular para economizar com refeições

Almoço barato

faz sobrar dinheiro

para utras contas

Rogério Verzignasse

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Criado há 17 anos, o Programa Bom Prato, do governo paulista, oferece alimentação balanceada, de qualidade e a preço simbólico a pessoas de baixa renda. A rede de restaurantes, no entanto, já deixou de alimentar apenas desempregados ou pessoas em situação de vulnerabilidade social. Cada vez mais, assalariados recorrem ao bandejão. A constatação é do próprio governo paulista, que aponta o serviço como um termômetro da situação financeira atual.

Na mais recente pesquisa feita para identificar o perfil do usuário do Bom Prato, ficou claro o empobrecimento do consumidor. O número de frequentadores desempregados aumentou de 15,73% para 22,58%. Como também caiu o número de trabalhadores com carteira assinada, ou seja, com emprego formal (de 20,22% para 16,58%).

O dado mais impressionante, no entanto, é que hoje recorreram à bandeja pessoas com renda mensal maior. O número de frequentadores que ganham de dois a três salários mínimos cresceu 35,9%. Mais um número impressionante: cresceu 11% o número de usuários com renda pessoal entre três e cinco salários.

Para chegar aos dados, a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo fez 1.479 entrevistas nos 54 restaurantes da rede, ao longo de todo o ano passado. “Tendo em vista o contexto de recessão e altas taxas de desemprego, o programa de restaurantes populares se consolidou como estratégia importante de apoio às famílias paulistas”, analisa o secretário Gilberto Nascimento Jr, à frente da pasta.

Nada menos que 74,61% de todos os entrevistados afirmaram de recorrem ao Bom Prato entre três e cinco vezes na semana. Enquanto 47,34% dos usuários vão andando até o restaurante, outros 41,11% vão de ônibus. Ou seja, consideram que vale a pena pegar uma condução para almoçar longe de casa.

Para o professor Cândido Ferreira da Silva Filho - que há 27 anos leciona economia na PUC-Campinas - os dados comprovam a queda generalizada do poder aquisitivo entre os cidadãos. Há milhões de desempregados ou na informalidade. Até os que trabalham com carteira assinada sofrem os reflexos da crise, “Em muitos casos, as pessoas se sujeitam a ganhar bem menos quando conseguem uma recolocação no mercado de trabalho”, explica.

Para o professor, outro aspecto precisa ser considerado. Para adaptar o próprio orçamento doméstico à nova realidade econômica, o cidadão corta despesas. Recorrer ao Bom Prato é mais conveniente que comprar os ingredientes e cozinhar em casa, por exemplo. Quem trabalha e precisa comer fora também achou no Bom Prato uma opção bem mais em conta. “A alimentação é cara. E recorrendo ao restaurante popular o cidadão guarda um dinheirinho para pagar outras contas da família”, avalia.

Mas, diante do quadro todo, o professor aponta que existe uma notícia a ser comemorada: o programa continua sendo uma ação social importante. Principalmente em uma fase que persiste a instabilidade financeira.

BOX

O Bom Prato oferece almoço e café da manhã. São servidas diariamete 90 mil refeições em 54 restaurantes populares. São 54 unidades em funcionamento: 22 na Capital, nove na Grande São Paulo, seis no Litoral e 17 no Interior. O almoço, com 1.200 calorias, custa R$ 1,00 e é composto por arroz, feijão, salada, legumes, um tipo de carne, farinha de mandioca, pãozinho, suco e sobremesa. O café da manhã por R$ 0,50, de 400 calorias em média, oferecido leite com café, achocolatado ou iogurte, pão com margarina, requeijão ou frios e uma fruta da estação.

OS NÚMEROS

202 milhões

DE REFEIÇÕES

Já foram servidas pelo Bom Prato desde 2000, ano de inauguração do programa.

94,86%

DOS USUÁRIOS

Aprovam o programa estadual de restaurantes populares

Escrito por:

Rogério Verzignasse