Publicado 04 de Outubro de 2018 - 9h51

Por Adriana Villar

Um vídeo que está sendo amplamente compartilhado nas redes sociais tem causado polêmica há poucos dias da eleição para presidente, governador, deputados estaduais e federais, e senadores. Na gravação, uma moça, que alega ser funcionária contratada pelos institutos Ibope e Datafolha, afirma que as pesquisas para presidente estão sendo fraudadas. Conceição Duarte, como ela se expõe no vídeo, denuncia todo o processo fraudulento das pesquisas, que conta com a participação da Rede Globo, que “está manipulando as pessoas mostrando resultados falsos”. A denunciante divide o vídeo em três alegações: a primeira, de que as perguntas são enviesadas, e que todos os outros candidatos são citados primeiro, deixando Jair Bolsonaro (PSL) por último; a segunda, de que estão usando a resposta “Fernando Haddad”, dada sempre que perguntam qual o substituto do Lula, para colocar como intenções de voto para o petista; a terceira, é que Bolsonaro não está com rejeição de 44/46%, mas sim com 90% das intenções de voto da população brasileira; a quarta, que a Globo está manipulando as intenções de voto; e a quinta, dizendo que todas as pesquisas são feitas por telefone e estão gravadas, o que quer dizer que tudo pode ser provado.

O vídeo realmente existe, não é manipulado, mas a informação passada por ele é mais um clássico boato político, do tipo que tem surgido aos montes nos últimos meses. Conceição Duarte não é funcionária do Ibope, e suas alegações caem por terra por motivos simples. Em primeiro lugar, os candidatos não são apresentados da maneira como ela descreve, mas sim em forma de disco, como uma “pizza”, justamente para que ordem dos candidatos não influencie na resposta. A forma como é feita a pergunta sobre Fernando Haddad (PT) também é falsa, já que, de acordo com o Comprova, projeto composto por diversos veículos de imprensa para desmentir notícias falsas deste processo eleitoral, o entrevistado apenas pergunta para o eleitor se “com certeza votaria em Fernando Haddad, poderia votar nele ou não votaria em Fernando Haddad de jeito nenhum?”, e é possível verificar o questionário aplicado no site do Tribunal Superior Eleitoral. Em relação aos números apresentados por ela sobre a rejeição do candidato do PSL, outros especialistas em política já indicaram que a polarização e a quantidade de candidatos para o primeiro turno fazem com que os votos seja muito dispersos, além de que, somando os votos brancos e nulos, que oscilam entre 11% e 12%, a conta não fecha. As pesquisas de intenção de voto são realizadas presencialmente, e não por telefone. Para desmentir o boato, o próprio IBOPE Inteligência lançou uma nota oficial, afirmando que Conceição Duarte nunca trabalhou para o instituto, e isso qualifica suas alegações como falsas.

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Adriana Villar