Publicado 05 de Outubro de 2018 - 0h21

Por Estadão Conteúdo

Os candidatos Henrique Meirelles (1º à esq.), Alvaro Dias, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Guilherme Boulos e Fernando Haddad, nesta quinta-feira à noite, no estúdio da TV Globo

AFP

Os candidatos Henrique Meirelles (1º à esq.), Alvaro Dias, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Guilherme Boulos e Fernando Haddad, nesta quinta-feira à noite, no estúdio da TV Globo

Uma crítica direta à polarização entre candidaturas tão antagônicas como as dos líderes das pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), na reta final para o pleito de domingo, foi um dos pontos marcantes do debate entre presidenciáveis, nesta quinta-feira à noite, na Rede Globo. Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), por exemplo, repetiram “dobradinha” de encontros anteriores e sugeriram um novo caminho para tentar mudar o rumo das urnas no primeiro turno. “Não acredito que, a permanecer essa polarização, se tenha possibilidade de governar o Brasil", respondeu Marina a Ciro, o primeiro a fazer perguntas no programa.

“As palavras de Marina são sábias e o brasileiro que está ouvindo que ainda não decidiu seu voto, deve ouvi-las. O que está em jogo aqui não é paixão partidária nem o ódio, mas milhões de desempregados”, disse Ciro, para quem a eleição deste ano caminha para repetir a trajetória de ódio que marcou o período após a eleição de 2014, que culminou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e a chegada ao poder do vice, Michel Temer (MDB).

Mediado pelo jornalista William Bonner, o encontro — dividido em quatro blocos e o último antes do 1º turno — reuniu também os candidatos Alvaro Dias (Podemos), Fernando Haddad, Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL) e Henrique Meirelles (MDB). Bolsonaro, que se recupera de uma facada, não participou do debate em razão de recomendação médica.

Subindo o tom no debate, Alckmin disparou uma crítica aos governos do PT em sua pergunta, dizendo que eles foram responsáveis pela “grande crise” por que passa o País. Em resposta, Haddad e Boulos, que fez o questionamento seguinte, tentaram ligar o PSDB ao governo do presidente Michel Temer.

“Quero saber se o candidato vai manter o modo de governar do PT”, questionou o tucano a Haddad. Em sua resposta, o petista lembrou que o governo Fernando Henrique Cardoso aumentou a carga tributária e teve, ao mesmo tempo, alta da relação dívida/PIB. Para o petista, os responsáveis pela crise foram o PSDB e a oposição ao segundo governo de Dilma Rousseff, que agiram para aprovar pautas bombas e acelerar o processo de impeachment. “Isso que levou o País à crise, não a política responsável da Dilma”, disse o petista.

“O PT terceiriza a responsabilidade. O PSDB está fora do governo há 16 anos, o que FHC tem a ver com isso?”, retrucou Alckmin. “Quem quebrou o Brasil foi o PT e Dilma, quando disse que ia fazer o diabo para ganhar eleição. Nem PT nem Bolsonaro vão tirar o Brasil da crise”, defendeu, também em ataque à polarização entre os líderes das pesquisas.

Na pergunta seguinte, Boulos também relacionou o PSDB ao governo Temer, lembrando que o partido apoiou a reforma trabalhista. Em sua resposta, Alckmin disse que direitos não foram tirados. “É uma inverdade o que está colocado. O que fizemos foi acabar com 17 mil sindicatos mamando no imposto sindical”, disse. O ex-governador aproveitou ainda para retrucar Haddad: “quem escolheu o Temer foi o PT, duas vezes”.

Haddad e Ciro aproveitaram uma pergunta sobre meio ambiente para fazer uma “parceria” e tecer críticas a Bolsonaro. O petista, que comentava sobre desenvolvimento sustentável, disse que o capitão reformado do Exército é apoiado por “ruralistas arcaicos, que estão querendo retroceder com o Brasil”. Ciro, além de criticar o candidato do PSL, utilizou a deixa para criticar a polarização que o PT ajudou a introduzir no País. Para ele, o partido perdeu a condição política de reunir a população brasileira. “Boas ideias necessitam de ambiente político para enfrentar o fascismo e a radicalização estúpida que Bolsonaro representa”, afirmou. 

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