Publicado 02 de Outubro de 2018 - 18h09

Por Janete Trevisani

Moça bonita, a mineira Irma de Castro Rocha morreu cedo e não teve tempo de concretizar o sonho de ser mãe. Sua história é contada em obras mediúnicas e seu nome é lembrado em várias instituições infantis, como a que existe em Campinas

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Moça bonita, a mineira Irma de Castro Rocha morreu cedo e não teve tempo de concretizar o sonho de ser mãe. Sua história é contada em obras mediúnicas e seu nome é lembrado em várias instituições infantis, como a que existe em Campinas

“Aproveita o dia e faça o melhor, amando sempre”

Meimei

A bela Irma de Castro Rocha, conhecida como Meimei na obra do líder espiritual Chico Xavier, deixou grandes lições de benevolência com o próximo e sua história foi contada em diversas obras mediúnicas, como Pai Nosso, Amizade, Palavras do Coração, Cartilha do Bem, Evangelho em Casa, Deus Aguarda e Mãe. Meimei nasceu na cidade mineira de Mateus Leme, em 22 de outubro de 1922. Seu nome espiritual é, na verdade, o apelido que ela recebeu do marido, Arnaldo Rocha, com quem se casou aos 22 anos, depois do casal ter lido o livro Momentos em Pequim, do filósofo chinês Lyn Yutang. Na leitura, eles encontraram o significado da palavra Meimei: noiva bem amada. A partir desse momento, Rocha passou a chamar Irma pelo apelido, mas ninguém a conhecia por esse nome. Era um segredo do casal.

O marido dizia que qualquer criança que passasse por Meimei recebia o cumprimento: “Deus te abençõe”. Depois que ela morreu, Arnaldo Rocha e seu irmão Orlando, que era espírita, estavam em Belo Horizonte quando encontraram o médium Francisco Cândido Xavier. Chico olhou o viúvo e disse: “Ora gente, nosso Arnaldo está triste, magro, cheio de saudades da querida Meimei”. Logo após abraçá-lo, o médium acrescentou: “Deixe-me ver, meu filho, o retrato de nossa Meimei que você guarda na carteira”. Na mesma noite, o médium redigiu a primeira mensagem de Irma ao marido.

Infância pobre

Meimei morreu em 22 de outubro de 1946, aos 24 anos, vítima de nefrite crônica, hipertensão e problemas pulmonares, sem chance de realizar o sonho de ser mãe. Era uma mulher bonita, mas sua prioridade era fazer o bem sem olhar a quem. Não gostava de ostentar seus traços marcantes e nada tinha de fútil.

Meimei é homenageada por diversas instituições no Brasil. Em Campinas, o trabalho desenvolvido pela Casa da Criança Meimei teve início graças ao empenho de algumas pessoas praticantes da doutrina espírita que se inquietavam diante dos problemas sociais existentes na cidade.

Esse pequeno grupo reservava um tempo para visitar algumas casas naperiferia levando gêneros alimentícios, roupas, brinquedos e palavras de esperança às famílias.

Sensibilizados com essa demanda, os voluntários iniciaram campanhas e eventos angariando fundos para a construção de uma creche que pudesse atender em tempo integral essas crianças. Assim, o grupo liderado pelo senhor Nestor Mendes da Rocha fundou, em 09 de agosto de 1964, a Casa da Criança Meimei.

Ao longo de sua história, a instituição rompeu com a visão de uma ação meramente assistencialista para se consolidar na área da educação infantil. A Creche Meimei é, atualmente, uma unidade educacional que atende em período integral 264 crianças na faixa etária de 0 a 5 anos e 11 meses, provenientes de famílias que se encontram em vulnerabilidade econômica e risco social. A presidente da instituição é Páscoa Colli Tozoni, e a diretora educacional, Gibiane Aline Ferreira.

Ainda sobre a história da mineira Meimei, o marido dizia que ela tinha um filho imaginário que costumava dchamar de “meu princepezinho”. Ele chegou a supor que a esposa sofria de problemas psíquicos, fato que Chico Xavier explicou, mais tarde, ser sinal de mediunidade.

Hoje, o filho imaginário de Meimei se transformou em centenas de crianças assistidas pelas instituições que levam seu nome. Seres que encontram, nos primeiros anos de vida, o alicerce para um futuro feliz. No caso da Meimei Campinas, é preciso ter um “olhar diferenciado” para atender essas crianças, além de muita sensibilidade, respeito, companheirismo e atenção. E a equipe consegue. Parabéns!

Escrito por:

Janete Trevisani