Publicado 04 de Outubro de 2018 - 5h30

O mercado brasileiro de ações renovou o otimismo com o cenário eleitoral e conduziu o Índice Bovespa ao seu segundo pregão de alta consecutiva, em um dia de forte volume financeiro (R$ 22,5 bilhões). Houve euforia no início dos negócios, e o índice chegou a subir mais de 4%, superando o patamar dos 85 mil pontos. Depois, no decorrer do dia, o clima acalmou e o indicador encerrou o pregão em alta de 2,04%, aos 83.273,40 pontos. As ordens de compra foram impulsionadas pelos resultados da mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na terça à noite, que confirmou o crescimento acima da margem de erro das intenções de voto em Jair Bolsonaro, candidato do PSL à presidência. A melhora de desempenho dele acabou por desencadear apoios de setores políticos e da sociedade, fortalecendo as especulações sobre uma eventual vitória já no primeiro turno.“Alta da bolsa com volume elevado é muito bom, pois aponta para o ingresso de recursos externos de maior prazo. O mercado refletiu uma diminuição da incerteza nesta reta final da eleição”, disse Guilherme Macedo, sócio da Vokin Investimentos. Segundo ele, uma vitória de Bolsonaro no primeiro turno, como se especula no mercado, ainda é pouco provável - mas não impossível.Assim como aconteceu na véspera, a alta do Ibovespa foi puxada por ações que exprimem a percepção de risco político no mercado, como é o caso das ações de empresas estatais e das do setor financeiro. “As ações das estatais sobem mais alinhadas à derrota do PT do que ao avanço de Bolsonaro, já que o grande temor é de ingerência política nessas empresas, como aconteceu no passado com os governos petistas”, disse Luiz Roberto Monteiro, da Renascença Corretora. Somente na terça e na quarta-feira, o Ibovespa saltou 4.649 pontos, ou 5,91%. Dólar

Em um movimento de ajuste de posições após a euforia registrada na terça-feira e na manhã de ontem - quanchegou a bater na mínima de R$ 3,82 - o mercado pisou no freio durante a tarde e amenizou a queda do dólar, que fechou cotado a R$ 3,88 - menor valor desde agosto. Para os analistas, a tendência a partir de agora é de alguma valorização da moeda americana, em linha com o mercado internacional, onde o dólar vem operando em alta em relação à maior parte dos emergentes após os dados mais fortes da economia americana reforçarem a percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode ter que elevar os juros de forma mais rápida do que o previsto. Para os operadores, o movimento Externo influenciou e evitou uma queda ainda mais acentuada do dólar por aqui - mas nessa semana e, possivelmente, até o resultado das eleições, o que ditará mesmo o ritmo do mercado será o cenário político. “No geral, o movimento do câmbio costuma ser explicada pelo cenário internacional. Mas, dessa vez, os ativos refletem em cheio as eleições. Estamos operando puramente em função do pleito”, disse o economista-chefe da Guide Investimentos, Victor Candido. Para ele, uma eventual vitória de Bolsonaro poderia levar o dólar para perto dos R$ 3,50. (Do Estadão Conteúdo)