Publicado 03 de Outubro de 2018 - 5h30

A produção industrial brasileira caiu 0,3% na passagem de julho para agosto, a segunda taxa negativa consecutiva do indicador, que acumula queda de 0,4% em dois meses. O dado é da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada ontem no Rio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do resultado de agosto, a produção industrial apresenta altas de 3,8% na média móvel trimestral, de 2% na comparação com agosto do ano passado, de 2,5% no acumulado do ano e de 3,1% no acumulado de 12 meses.A produção recuou em 14 dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE em agosto ante julho. Entre os setores, a principal influência negativa foi registrada por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com queda de 5,7% que interrompeu uma série de resultados positivos iniciada em março, período em que acumulou ganho de 14,5%, detalhou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. “É sem dúvida um saldo positivo importante no período”, afirmou. Em agosto, o resultado foi impactado negativamente pela interrupção da produção na Refinaria de Paulínia em decorrência de um incêndio. As outras contribuições negativas sobre o total da indústria vieram de bebidas (-10,8%), de produtos alimentícios (-1,3%) e de indústrias extrativas (-2,0%). “A parte ligada ao petróleo tem impacto importante sobre esse resultado da indústria. Além da produção de derivados, também a extração de petróleo e gás tem um número maior de paradas programadas de plataformas de petróleo para manutenção. Não por acaso a categoria de bens intermediários tem resultado negativo maior e também ajuda mais na construção do resultado global (-0,3%), dado que é segmento de maior peso”, lembrou Macedo. A categoria de bens intermediários responde por 55% de toda a produção da indústria brasileira, enquanto bens de consumo semi e não duráveis representa 25%. A fabricação dos intermediários caiu 2,1% em agosto ante julho, enquanto bens de consumo semi e não duráveis encolheu 0,6%. “Por causa do peso dessas duas categorias, mesmo os bons avanços de bens de capital (5,3%) e bens de consumo duráveis (1,2%) não foram suficientes para que o resultado final ficasse em território positivo”, observou Macedo. Na direção oposta, entre os 12 setores que ampliaram a produção em agosto ante julho, o desempenho de maior relevância foi o de veículos automotores, reboques e carrocerias (2,4%), seguido por produtos químicos e farmacêuticos (8,3%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e óticos (5,1%) e celulose, papel e produtos de papel (2%). (Das agências)