Publicado 04 de Outubro de 2018 - 19h05

Pensando em unir o estilo decorativo da década de 1920 com o contemporâneo, o espaço Cafe Bistrô na Mostra + Sustentável 2018 promete uma experiência de memória e sensações. As pessoas que passeiam pelo Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira durante a exibição, que vai até o próximo domingo, têm a oportunidade de visitar um espaço que oferece culinária diversificada, com um design vintage e arrojado que propõe uma viagem ao passado através das capas que ilustraram os 90 anos do Correio Popular. Criado pelos cozinheiros Marc Suresh e Ana Beatriz Ogg e pela arquiteta Michelle Moreira, o espaço busca manter as origens e marcas do serviço de saúde ao mesmo tempo em que o revitaliza.

O trio se conheceu durante a mostra de 2017, realizada no Lar dos Velhinhos, quando Ana Beatriz e Marc se desdobravam com o café e Michelle conquistava seu lugar entre os espaços mais concorridos da exposição. Por isso, a arquiteta teve a oportunidade de escolher com quem trabalhar durante a exposição deste ano, e optou por adoçar o trabalho dos cozinheiros. “Sempre gostei da área de gastronomia, então a escolha foi certeira” , diz Michelle. Ana Beatriz e Marc, que se descrevem como praticantes de uma “culinária itinerante anarquista hardcore”, aderiram prontamente. “Nós três formamos o casamento perfeito” , descreve Ana Beatriz.

A parceria resultou no que, hoje, é um dos espaços mais requisitados da Mostra + Sustentável 2018, que tem como um de seus principais objetivos revitalizar o ambiente do serviço de saúde que, há apenas dois anos, interrompeu totalmente a internação de seus pacientes – processo iniciado no começo dos anos 2000, quando ganhou força o movimento antimanicomial.

Cor e luz

A mostra traz mais cor e visibilidade para o local, que tem recebido diversos visitantes desde que a exposição teve início, em 29 de agosto. Iluminado e colorido, o espaço traz referências históricas nas paredes e nos jogos americanos, usados para apoiar os pratos nas mesas, com capas icônicas dos 90 anos do Correio. Segundo a arquiteta, essa é uma característica importante do local. “Quando o Correio escolheu o nosso espaço, eu pensei em focar o projeto na história. Usei como referência a década de 1920, ano de criação do jornal e também do hospital Cândido Ferreira” , conta a arquiteta.

Além da decoração, a mostra visa a revitalização dos ambientes do serviço de saúde com foco na sustentabilidade. Por isso, Michelle se preocupou em criar um ambiente que, apesar de demandar grande fluxo de energia e água, por ser um café, economizasse no que fosse possível. “Sabia que iria aumentar principalmente o consumo de água, por causa da louça a ser lavada. Então, através de parcerias, consegui uma lavadora de louças, que, apesar de utilizar bastante água, ainda gasta menos que no processo manual”, comenta a arquiteta. Segundo ela, também, o consumo de energia já estava fechado, mas todas as medidas para sua redução foram tomadas. A arquiteta também buscou manter as características do espaço, anteriormente utilizado como laboratório, copa e até mesmo cozinha. “A fachada é tombada, então não mexemos nos arcos, nas janelas e nos pisos, mas nos utilizamos deles para criar a identidade do Cafe Bistro”, explica. A bancada, por exemplo, localizada no centro da sala, é feita a partir de uma porta de ferro que havia no local. “Nós não substituímos os vidros da porta. Apenas a transformamos numa mesa. Assim como mantivemos os azulejos” , conta Michelle.

Sobre a alimentação oferecida pelo bistrô, Ana Beatriz e Marc mantêm a característica itinerante em seu menu. “Nós usamos o que os nossos fornecedores têm a disposição, já que temos a política do 0 km. Usamos fornecedores locais sempre. Por isso, nosso menu é cheio de ‘especiais’” , explica Ana Beatriz. Os cozinheiros, que se valem de temperos variados para atrair o público, apostam no sabor e na variedade. “Temos pessoas que vieram na mostra do ano passado e que, quando voltaram esse ano, estavam ansiosas para comer a nossa pizza de abobrinha” , conta Marc. Por serem itinerantes, os cozinheiros participam de festivais e eventos, mas não negam que existe a possibilidade de abrir um café, mantendo o “casamento perfeito”. “Agora, só nos falta achar o espaço ideal para começarmos o nosso projeto”, diz Ana Beatriz. Os dois contam com funcionários que os ajudam no café, além de uma confeiteira e de ter parceria com o Café Kurubi, que fornece os grãos da bebida.