Publicado 03 de Outubro de 2018 - 19h05

Duas exposições estreiam nesta sexta-feira em Campinas – no Sesi Amoreiras, a exposição Ogbom Itan, que fica até o dia 24 de novembro, propõe um olhar descolonizado para a trajetória e a memória dos povos africanos, resgatando suas raízes por meio da arte; e, na Casa de Vidro, no Lago do Café, será aberta ao público a coletiva comandada por Mário Gravem Borges Cara Casa Árvore Rua Estrada Tinta Cavalete nº 2, que vai até 5 de novembro. O vernissage acontece hoje, às 19h30, com a participação do Coral do Círculo Militar de Campinas.Do yorubá, família linguística nígero-congolesa, a palavra “ogbon” significa sabedoria, criação e arte. “Itan”, por sua vez, remete à história verdadeira que será contada. É este o objetivo da exposição Ogbom Itan: contar a história dos povos africanos sob a perspectiva deles. A exposição traz 57 obras de 11 nações africanas, como esculturas e máscaras em madeira, bronze e marfim; pinturas; indumentárias; objetos religiosos, decorativos e instrumentos musicais. Cada item contribui para um novo olhar sobre a história da África, suas singularidades e riquezas, ressaltando as diferentes características e composições dos povos. Além disso, a mostra estabelece uma conexão entre a cultura brasileira e as raízes africanas, dando um novo sentido à história do continente.A mostra leva ao público parte do acervo do Instituto Cultural Babá Toloji, que contempla o trabalho de países como a Costa do Marfim, Nigéria, Gana, Congo, Benin, Serra Leoa, Mali, Camarões, Angola, Gabão e Etiópia. A coleção possui 11.500 peças originárias da Áfricda, datadas dos séculos XX e XXI. Fundado em 1999 pelo colecionador, artista e líder religioso de culto afro Luiz Antônio Castro de Jesus, o instituto atua diretamente na preservação da memória histórica dos registros afro-brasileiros e na difusão dos vários segmentos da arte africana. A arte educadora e artista visual Andrea Mendes, curadora da exposição, é graduada em Artes Visuais  pela PUC Campinas, e entre seus trabalhos mais importantes, está a performance Cemitério de Mulheres, resultado de pesquisa que realizou sobre o problema do feminicídio.Gravem Borges

O artista plástico Mário Gravem Borges resolveu comemorar seus 70 anos de maneira especial: envolvido em cores, formas e pinceis, e rodeado por um bocado de amigos artistas inquietos. O que seria uma individual, se tornou a coletiva Cara Casa Árvore Rua Estrada Tinta Cavalete nº 2, que reúne na Casa de Vidro, no Lago do Café, além, de Gravem Borges, os artistas Acácio Pereira, Cristina Roese, Daniel Steck, Gabriela Pendezza, Matheus Junco, Rael Mendonça, Tiago Rego e Jeison Redentor.Das quase 30 obras da mostra, 12 são de Borges, produzidas desde a década de 1980 até agora. “São imagens com forte caráter onírico em técnica mista permanente que inclui pintura em acrílico direto sobre tela, pintura com colagens simples, e colagens feitas com auxílio do computador”, detalha.Natural de Campinas, e “altamente estimulado por pais extraordinários, vivos até hoje”, conforme destaca, Mário Gravem Borges foi aluno de um time expressivo de mestres das artes, como Helio Oiticica, Alexandre Wollner, Aloisio Magalhães, Renina Katz, Décio Pignatari, entre outros. Estudou no Museu de Arte Moderno, no Rio, com Ivan Serpa e na legendária Escola Superior de Desenho Industrial, onde, com outros alunos, trabalhou na confecção de uma instalação para a  primeira Bienal Internacional de Desenho Industrial, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1968. Em 1981, foi um dos primeiros estrangeiros a expor no Institute of Contemporary Art, em Londres. Em Campinas, Gravem Borges participou de vários conselhos e na elaboração dos primeiros prêmios-estímulo. É um dos poucos brasileiros a ter obra leiloada na Christie’s International Auctioneers e Bonham’s, no Reino Unido. Sua obra, que hoje é parte de coleção pública no Reino Unido, tem Campinas como tema.