Publicado 05 de Outubro de 2018 - 5h30

O publicitário José Akio Kurosawa, de 60 anos, que foi atacado por abelhas no último dia 27, na Rua Orlando Carpino, no Jardim Chapadão, na região da Torre do Castelo em Campinas, não resistiu e morreu na madrugada de ontem. Akio estava internado há oito dias em estado grave no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A vítima teve falência múltipla dos órgãos. O corpo dele foi enterrado na tarde de ontem, no Cemitério da Saudade. O publicitário deixa mulher e um filho.

Segundo amigos, os médicos teriam revelado que ele levou entre 500 e 700 picadas. Akio já trabalhou como gerente comercial na emissora Bandeirantes e nas rádios Educadora AM e FM e no grupo Globo CBN. Há seis anos era representante comercial na rede N&O. “Era um amigo, conselheiro. Como era o mais velho, sempre estava aconselhando os mais jovens. Vai deixar muitas saudades. É uma perda lastimável e sem sentido”, afirmou uma das sócias-proprietárias da N&O, Rosemari Léssio.

Akio voltava de uma padaria nas proximidades da empresa quando foi atacado pelo enxame por volta das 9h. Os insetos estavam em uma árvore, localizada na calçada do estacionamento nos fundos da padaria Nico, e se alvoroçaram por conta do barulho de uma máquina tipo bob cat para limpeza. Outras pessoas que passavam pelo local foram picadas pelas abelhas e não há informações sobre essas vítimas.

De acordo com colegas de Akio, as abelhas cobriram a cabeça, o pescoço e parte de seu tórax. Ele caminhou com os insetos por cerca de cinco metros, até em frente a empresa onde trabalha, mas desistiu de entrar porque não queria que os colegas fossem atacados também. O publicitário se sentou no chão e pediu para que os colegas chamassem socorro. O resgate do Corpo de Bombeiros chegou em poucos minutos e teve que usar água para espantar as abelhas de seu corpo. Akio já estava com dificuldades para respirar e foi encaminhado ao HC já em estado grave. “Ele não tinha alergia, mas foram muitas picadas. Por conta do veneno, os rins dele paralisaram. Chegaram a fazer hemodiálise, mas, infelizmente ele não resistiu”, contou Rosemari.

Apesar de o Corpo de Bombeiros e o Departamento de Zoonoses terem ido ao local, moradores e comerciantes acreditam que ainda há colmeia na árvore. Segundo eles, na última segunda-feira havia abelhas voando no local. “É muito triste o que aconteceu com o senhor Akio. Ainda estamos com medo. Ontem (anteontem), uma pessoa passou lá na rua e colocou fogo no galho que estava no chão, pois havia abelhas no local”, declarou a comerciante Aparecida de Fátima Ribeiro Felício.

As abelhas são da espécie Apis melifera (europeia). Segundo o biólogo da Prefeitura, Ovando Provatti, na Primavera, as abelhas estão em trânsito à procura de alimentos. Elas mudam de casa e durante esse processo, costumam se dividir em duas colônias: uma que procura local para instalar a colmeia e outra que para em certos locais com a rainha para descansar. Geralmente, essas que estão acompanhadas da rainha estão carregadas de polén. “Elas estão em viagem e não aguentam atacar. Geralmente a enxameação se instala em galhos de árvores e ficam de um a dois dias no local e depois partem. As pessoas não devem jogar veneno e nem pedras. As abelhas são animais silvestres, protegidos por lei. Se alguém vir um enxame e ficar preocupado com supostos acidentes, deve ligar para o serviço de Saúde ou Defesa Civil, que enviamos uma equipe para uma avaliação de risco”, orientou o biólogo.

O telefone do Departamento de Zoonoses é 3245-1219, das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira. Em feriados, finais de semana e à noite, a ligação deve ser feita ao 199 da Defesa Civil ou pelo 193 do Corpo de Bombeiros.