Publicado 05 de Outubro de 2018 - 5h30

Políticos de diferentes cargos eletivos e seus apoiadores, muitas vezes no anonimato, estão fazendo propaganda eleitoral sem identificar quem pagou por elas nas redes sociais. O aplicativo “Pardal”, criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já recebeu 633 denúncias relacionadas às redes sociais desde agosto, das quais 82 por falta de identificação de CNPJ ou CPF - quase duas por dia. Não é incomum encontrar casos do tipo. Um levantamento no Facebook identificou ao menos 70 propagandas sem as informações de quem as pagou. São, principalmente, candidatos ao Legislativo e páginas anônimas de militantes dos presidenciáveis.Apesar da facilidade em encontrá-los, há pouca fiscalização desses anúncios, e mesmo quando ela é feita, raramente resultam em alguma punição.Uma resolução de dezembro de 2017 estabelece diversas regras para as propagandas eleitorais das eleições deste ano. Entre as novidades, está a obrigação de que qualquer publicação impulsionada na internet (quando há pagamento para aumentar o número de pessoas que terão acesso ao conteúdo) deve conter, “de forma clara e legível”, o CNPJ ou número de inscrição no CPF do responsável, além da expressão “propaganda eleitoral”. Para o professor de marketing digital da FGV André Micelli, a dificuldade em se fiscalizar esse tipo de anúncio é devida à enorme quantidade de conteúdo nas redes sociais. “É um terreno vasto demais, que tende ao infinito. Quantas páginas existem no Facebook?”, disse. Pela lei, quem não for candidato, partido ou coligação não pode contratar nenhum tipo de impulsionamento a favor de políticos. A punição é uma multa que pode chegar a R$ 30 mil.Casos

A coligação da candidata da Rede, Marina Silva, entrou na última semana com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o candidato a deputado estadual pelo Rio Grande do Sul, Ruy Irigaray, por promover anúncios do candidato Jair Bolsonaro em uma página chamada “Armas S.A”.Por impulsionar imagens em favor de Bolsonaro sem informar quem pagou, o pedido de remoção dos conteúdos foi deferido. Uma análise feita no Facebook identificou diversos outros casos. Os responsáveis pelos impulsionamentos dizem desconhecer a legislação ou que foi se tratou de um equívoco. (Do Estadão Conteúdo)