Publicado 04 de Outubro de 2018 - 5h30

Na reta final para o primeiro turno das eleições, a escolha do novo presidente da República assume vital importância, afinal o que está em jogo é o futuro imediato do Brasil e o que deverá ser feito a partir do próximo ano para superar as tantas crises que se abatem sobre todos. A expectativa de mudanças fica clara nas opções manifestas dos eleitores e nas campanhas dos candidatos, cada qual advogando para si o cetro de transformação, mesmo que através de promessas cuidadosamente articuladas para se aproximar do ideário popular.

Em meio a tanta radicalização, que quase transforma as eleições em uma rinha de galos, pode-se observar uma característica muito própria dos brasileiros, de fazer graça com a própria miséria, transformando em chacota e memes na internet tudo o que deveria ser tratado com seriedade e reflexão. Não é apenas a frustração de ver, entre os mais cotados para assumirem mandatos a partir de 2019, que as escolhas dos eleitores resultarão na volta de políticos que recentemente estiveram envolvidos nos escândalos de corrupção ou que representam o que existe de mais nefasto na política brasileira. Nem é preciso citar nomes para exemplificar que o espírito de mudança que se apregoa não atinge uma fatia considerável do eleitorado, ainda propenso a decidir por votos que parecem descabidos, ainda que sejam válidos e legítimos no sistema de representação. Mas alguns indicadores apontam para flagrantes distorções do processo e em nada contribuem para a democracia.

Chega a ser escandaloso que o cidadão Francisco Everardo Oliveira Silva, conhecido como Tiririca (PR-SP), apareça como o candidato com maior potencial de votos para deputado federal por São Paulo. Em 2010, ele se elegeu com 1,3 milhão de votos, repetindo a performance em 2014 com cerca de l milhão. Hoje, depois de ter anunciado a retirada do meio político, ele volta como principal instrumento para angariar votos para a legenda. Em sua campanha, ele trata o eleitor como uma massa ignorante que se encanta com suas brincadeiras inconsequentes ou se aproveita do deboche para dar um voto de protesto.

Eleição não é brincadeira, é o destino de todos que está em jogo e não deveria haver espaço para estes desatinos. Ao final, quem faz o papel de palhaço não é o candidato, mas o eleitor que parece acreditar que cabe este tipo de chacota de mau gosto quando se decide o futuro da Nação. Para completar o contrassenso, falta apenas ratificar nas urnas eletrônicas o nome do inexplicável Cabo Daciolo (Patriota) para a Presidência.