Publicado 03 de Outubro de 2018 - 5h30

Os delegados de São Paulo elegeram seus três representantes para compor a lista tríplice, para o cargo de delegado-geral da Polícia Civil do Estado, que será submetida à avaliação do futuro governador do Estado de SP. A eleição é inédita dentro da corporação. O resultado do pleito foi anunciado na tarde de anteontem na sede da Associação dos Delegados de Polícia do Estado.

Domingos Paulo Neto foi o mais votado, com 508 votos, seguido de Antônio Mestre Júnior, com 235 votos, e Edson Minoru Nakamura, com 182. O futuro governador tem a prerrogativa de indicar qualquer um dos três nomes mais votados para assumir a chefia da Polícia Civil. O trio foi escolhido dentro de uma lista com 107 candidatos elegíveis.

Domingos Paulo Neto, tem 61 anos de idade e quase 42 de carreira. Desde de julho deste ano, ele ocupa o posto de diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) e entre 2009 a 2011 assumiu o cargo mais elevado da Polícia Civil, o de delegado-geral. Sua soma de votos bateu com folga até mesmo a soma dos votos do segundo e terceiro colocados, 417. Neto, sempre defendeu esse modelo de escolha para delegado-geral.

A eleição foi organizada pela associação e pelo Sindicato dos Delegados no Estado de São Paulo, e durou dez dias. Ela foi iniciada no dia 18 de setembro e encerrada no dia 29. Ao menos 3.572 delegados votaram.

De acordo com as regras, cada eleitor poderia votar em até três delegados. Segundo balanço das entidades, somente um eleitor votou nulo. Participaram da escolha, todo delegado da ativa, independentemente de ser associado ou sindicalizado.

Não há previsão constitucional para a formação da lista tríplice, ou seja, o chefe do Executivo não tem que escolher nenhum nome. Mas os delegados consideram que deram um passo importante para a concretização de sua antiga aspiração. “A lista tríplice não está institucionalizada, mas pode ajudar. Quando você escolhe, você deixa que o cargo seja eminentemente político. Quando o governo escolhe sozinho, escolhe quem ele quiser. Quando a gente apresenta alguns nomes, estamos dando alguma sugestão. Isso dá mais segurança nos trabalhos, pois os delegados estão assumindo a responsabilidade da escolha. Se o governo acatar ficará reconhecido que a própria categoria tem capacidade de escolher seu chefe, pois só quem tá dentro sabe como funciona”, disse o delegado do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo do Interior-2 (Deinter-2), José Henrique Ventura.

Histórico

“Este é um momento histórico na Polícia Civil do Estado de São Paulo. Pela primeira vez, os delegados de polícia elegeram, através de uma lista, três nomes que serão apresentados ao governador para que seja escolhido o dirigente máximo de nossa instituição”, disse a presidente do sindicato, Raquel Kobashi Gallinati.

A lista tríplice já é usada nas universidades públicas para nomeação de reitor, pela Polícia Federal (PF), o Ministério Público (MP) e Justiça.