Publicado 03 de Outubro de 2018 - 5h30

Os pequenos partidos da Região Metropolitana de Campinas (RMC) aumentaram o número de candidatos nas eleições de 2018 em relação a 2014, enquanto legendas tradicionais, como o PSDB, MDB, PDT, PT, PTB e PSB, reduziram os nomes na disputa à Assembleia Legislativa e Câmara Federal. São 28 partidos na região disputando vaga a deputado estadual e federal. A liderança em números de candidatos é do PSOL, que este ano concorre com 12 candidatos, cinco a mais do que em 2014.

Partido como o PSL, de Jair Bolsonaro, está concorrendo com sete candidatos na RMC, 75% a mais que na eleição de 2014. O PRB está com cinco candidatos — há quatro anos, concorreu com apenas um. O PROS cresceu em 50% a participação na disputa e o Solidariedade aumentou em 25%. O PR tem sete concorrendo contra seis em 2014.

Já os grandes partidos preferiram não pulverizar votos entre muitos candidatos e reduziram o número na disputa. O PT, há quatro anos, lançou 15 candidatos, agora está com nove na região. O MDB reduziu de 13 para 8, o PSDB, de seis para cinco, enquanto o PTB diminuiu de cinco para apenas um.

O investimento dos pequenos partidos em candidaturas pode ser explicado, segundo o cientista político Henrique Spinola, do Centro de Estudos Políticos e Sociais, pela cláusula de barreira. As legendas que não conseguirem eleger ao menos nove deputados federais em nove unidades diferentes da federação, ou tiverem menos de 1,5% do total de votos na Câmara com pelo menos 1% dos votos em cada unidade da federação, não terão mais acesso à estrutura dentro do Congresso, como espaço físico e funcionários para a liderança, nem acesso ao fundo partidário ou tempo gratuito de rádio e televisão para as campanhas.

O esforço dos pequenos partidos para conseguir eleger um número significativo de candidatos será a garantia da sobrevivência das legendas, disse. Já as grandes legendas optaram por concentrar recursos em candidatos com chances de vitória. “Por isso, o esperado é que a renovação seja pequena. Neste ano, sem doação de empresas, os partidos precisaram contar com doações de pessoas físicas e os fundos partidário e eleitoral. O fundo partidário fica nas mãos da direção dos partidos, que tendem a investir em candidatos viáveis”, avaliou.

O presidente do MDB de Campinas, Arnaldo Salvetti, acredita que o menor número de candidatos nas grandes legendas está relacionado à desmotivação das pessoas para se lançarem na disputa, por causa de toda a situação de corrupção, que acabou colocando todos os políticos na mesma avaliação. Além disso, sem a possibilidade de apoio de empresários, os candidatos tentam conseguir doação de pessoas físicas, que nem sempre querem ver seu nome ligado a um candidato. “Isso gera desmotivação total para alguém sair candidato”, disse.

Partidos pequenos, como o PRB, optaram por concentra as candidaturas no Estado e por pulverizar as regiões com nomes com potencial de voto. A chapa para deputado estadual, disse o presidente da legenda, Adilson Momente, está em coligação, mas a de federal é chapa pura. Ele disse que o partido trabalha para eleger oito deputados federais no Estado.

“Não temos problemas com cláusula de barreira, mas em 2020 teremos porque os partidos precisarão concorrer com chapa pura”, disse. Ele disse que o partido teve de abrir mão de muitas candidaturas que não tinham base e potencial de voto e centrar esforços naqueles que podem se eleger.

Urnas da 378 Zona Eleitoral estão prontas para o pleito

A 378 Zona Eleitoral de Campinas terminou ontem a lacração das 578 urnas eletrônicas que serão utilizadas na eleição do próximo domingo, 7 de outubro. O procedimento foi feito após testes e auditoria nas máquinas. Segundo os funcionários do cartório, as urnas eletrônicas serão encaminhas para os locais de votação no sábado, véspera do pleito. Ao todo, serão disponibilizadas no dia cerca de 2,5 mil urnas eletrônicas pelos locais de votação em Campinas, incluindo equipamentos reservas e urnas utilizadas para a justificativa de ausência de votação.

Dos sete cartórios da cidade, a maioria terminou a lacração na terça-feira. “Nossas urnas estão prontas, com auditoria feita pelo Ministério Público. Aqui na 380, são 361 sessões, mais 52 urnas para a zona de contingência, caso aconteçam problemas técnicos durante a eleição”, explicou o chefe de sessão Cleano Cavalcante Locio.

Já a zona 423 deve encerrar o processo hoje. “Temos 251 sessões e mais 25 urnas para justificativas. São 25 escolas atendidas. Estamos praticamente prontos para o processo eleitoral”, disse o chefe de cartório Antonio Carlos Fidelis.

A 274 Zona Eleitoral, que deve terminar a lacração na sexta-feira, conta com 256 urnas para votação e 9 para justificativas. “Rodamos um programa dentro da urna para avaliar a situação do equipamento, simulando como se estivesse no dia da eleição. Verificamos os códigos internos e por último forçamos um início de votação. Com tudo dando certo, lacramos a urna manualmente com um adesivo o que garante que nenhuma fraude possa acontecer”, explicou a chefe Egle Prado Vilhena. “É importante destacar que esse processo é sempre acompanhado de um promotor e um juiz eleitoral e pode ainda ser conferido pelos partidos, por se tratar de um procedimento público e de segurança”, disse.

RMC

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) deve contar com 6,3 mil urnas eletrônicas no primeiro turno das eleições deste ano. O total representa aumento de 9,9% em relação ao pleito de 2014, quando foram usadas 5,7 mil máquinas para votação nas 20 cidades.

Treze municípios registraram alta superior à média. As maiores variações na quantidade de urnas estão em Jaguariúna, Engenheiro Coelho e Paulínia; enquanto que as três menores ocorreram em Vinhedo, Holambra e Santa Bárbara d’Oeste. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), de São Paulo, a alta no número de equipamentos reflete crescimento do eleitorado apto a votar. Em quatro anos, houve acréscimo de 130,9 mil (6,1%), passando de 2.125.094 para 2.256.011 eleitores.

Eleitorado

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com população de 1.182.429, Campinas tem 849.127 eleitores aptos a votar no próximo domingo, 5,1% a mais que há quatro anos, quando a cidade contava com um contingente de 807.537 eleitores. A maioria do eleitorado é do sexo feminino (53,19%). A faixa etária predominante é de 34 a 39 anos (10,98%), e a maioria tem Ensino Médio completo (26,66%).

O ano de 2018 também será marcado pela primeira votação com nome social no País. No município, 84 transexuais ou travestis mudaram o registro.

A possibilidade da autoidentificação foi aprovada pelo Plenário do TSE em 1 de março deste ano. No Estado de São Paulo, 1.805 pedidos de alteração foram feitos. No País, foram 6.280 solicitações.