Publicado 03 de Outubro de 2018 - 5h30

A divulgação parcial dos termos da delação premiada de Antonio Palocci na última semana do pleito tem o componente inevitável de parecer oportunista, lançando sobre os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff acusações graves que envolvem o pagamento de propinas pela Petrobras e Odebrecht para o financiamento das campanhas eleitorais e para sustentar o projeto de poder do partido (Correio Popular, 2/10, A12). Não faltaram os rotineiros desmentidos dos termos da delação, procurando minimizar o possível estrago à candidatura de Fernando Haddad (PT).

Em verdade, as acusações de Palocci não trazem maiores surpresas diante de todas as evidências já demonstradas do esquema petista de arrecadação de fundos de forma ilícita, seja através de pagamentos de custos de campanhas eleitorais ou a cobrança sistemática de dinheiro para cada Medida Provisória baixada pelo governos de Lula e Dilma. Pesa no caso o papel de alto protagonismo do delator, que assumiu cargos vitais na estrutura de governo, além de ser elemento-chave nas negociações com empreiteiras, e controlar a ação dos diretores cuidadosamente nomeados para os cargos na estatal.

Não são rasteiras as denúncias de Palocci, que aparentemente optou por responder na Justiça ao limbo em que foi jogado pelos antigos companheiros. Somente em crimes eleitorais, o ex-ministro e homem forte do governo admitiu que as campanhas de Dilma à Presidência em 2010 e 2014 consumiram R$ 1,4 bilhão, quando foram declarados gastos de R$ 503 milhões. A diferença foi bancada com dinheiro ilegal e disfarçada na prestação de contas do partido à Justiça Eleitoral. Palocci ainda tratou do envolvimento direto de Lula em todo o processo de negociação e a estratégia do ex-presidente de negar qualquer possibilidade de envolvimento.

O que fica claro – e já não é nenhuma surpresa – é o esquema adotado pelo PT para se manter no poder ao custo de pagamento sistemático de propinas e distribuição de cargos a partidos políticos que deram suporte ao governo, uma rotina perdulária e dispendiosa que abalou as finanças da maior empresa brasileira e multiplicou os custos de obras e investimentos públicos. O resultado não poderia ser mais desastroso para a economia nacional e para a política brasileira. Até hoje, o PT não pretendeu explicar-se para a sociedade ou mesmo fazer um devotado mea-culpa pelos seus erros. Pelo contrário, promete mais do mesmo.