Publicado 04 de Outubro de 2018 - 6h10

Por AFP

As ironias do presidente americano, Donald Trump, que ridicularizou a mulher que acusou o seu candidato à Suprema Corte, Brett Kavanaugh, de agressão sexual, atiçaram nesta quarta-feira (3) as tensões sobre este caso que deixa o país apreensivo.Dois dos três senadores republicanos cujos votos são fundamentais para a aprovação de Kavanaugh no Senado expressaram o seu repúdio à ridicularização de Trump a Christine Blasey Ford durante um ato político no Mississippi.Durante a noite foi anunciado que a votação final no Senado sobre a confirmação de Kavanaugh pode acontecer no sábado."Não é momento nem lugar para comentários como esse", declarou Jeff Flake à NBC. "Discutir algo tão delicado em um comício não é correto. Desejaria que não tivesse feito isso. É bastante espantoso".A senadora Susan Collins assinalou que as palavras de Trump "foram rasas e cheias de maldade". O discurso de Trump gerou novas dúvidas sobre o destino de Kavanaugh, enquanto o FBI revisa as acusações de três mulheres que afirmam que o atual juiz de apelações bebia muito e abusou sexualmente de mulheres nos anos 1980.O FBI tem até sexta-feira para analisar as acusações, pressionado pelos republicanos do Senado e pela Casa Branca, que apontam Kavanaugh para inclinar para o lado conservador as decisões da Suprema Corte.O líder da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell, exigiu uma votação final da indicação "esta semana". "É hora de deixar para trás este espetáculo vergonhoso", disse.Na quinta-feira passada, Blasey Ford assinalou que Kavanaugh, bêbado, tentou estuprá-la em 1982 durante uma festa. Disse estar absolutamente certa de que ele era o agressor, mas não conseguia lembrar de certos detalhes.E Trump fez piada disso na terça-feira."Tomei uma cerveja", disse Trump, assinalando algo que Blasey Ford se lembrou. "Como chegou em casa? Não lembro! Como chegou lá? Não lembro! Onde era o local? Não lembro! Há quantos anos isto aconteceu? Não sei! Não sei, não sei e não sei!", acrescentou o presidente."Mas tomei uma cerveja. Essa é a única coisa que eu lembro", apontou.Michael Bromwich, advogado de Blasey Ford, denunciou no Twitter o ataque "vil e desalmado" contra sua cliente. Por reações assim "não é de se estranhar" que ela estivesse "aterrorizada" de se apresentar, e que outros sobreviventes de agressão sexual façam o mesmo, disse.Para o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, as declarações de Trump são "repreensíveis". O presidente deve "uma desculpa imediata" a Blasey Ford, afirmou.Mas Kellyanne Conway, assessora principal de Trump, defendeu os comentários do presidente e disse que ele se limitou a assinalar "inconsistências objetivas em sua história".Trump simplesmente estava "declarando fatos", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, em entrevista coletiva. Ainda indecisos, Collins, Flake e outra senadora republicana, Lisa Murkowski, têm um forte peso em um Senado onde os republicanos contam com uma apertada maioria (51-49).

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