Publicado 03 de Outubro de 2018 - 17h40

Por AFP

O minirrobô espacial franco-alemão Mascot, que tem as horas de autonomia contadas a partir do momento em que pousou em um asteroide, nesta quarta-feira (3), trabalhava a toda velocidade na análise do solo na esperança de entender melhor a formação do Sistema Solar.A descida a partir da sonda japonesa Hayabusa2 até o asteroide Ryugu "foi um grande sucesso", assinalou à AFP Jean-Yves Le Gall, presidente da CNES, a agência espacial francesa.Mascot (sigla em inglês que significa Explorador Móvel da Superfície de um Asteroide) "está bem, seus instrumentos estão funcionando. Comunica-se bem com a sonda", destacou Aurélie Moussi, chefe no projeto na CNES.O controle de missão publicou no Twitter uma foto de Mascot em seu local de descida, animado pela agência espacial alemã DLR. "Olá, Terra, prometi enviar fotos de Ryugu. Isso foi o que eu registrei durante a minha descida", diz o tuíte.O robô, que carece de painéis solares, deve trabalhar rapidamente porque depende apenas da energia de suas baterias, e estas estão programadas para durar no máximo 16 horas.O aparelho, de 10 quilos de massa e que tem o tamanho de uma caixa de sapato, se uniu a dois microrrobôs japoneses Minerva, também "passageiros" da sonda Hayabusa2, que desceram na semana passada no Ryugu, asteroide em forma de diamante com 900 metros de diâmetro.A aventura começou em 3 de dezembro de 2014 para a sonda Hayabusa2, que empreendeu um périplo de 3,2 bilhões de quilômetros.Precisou de três anos e 10 meses para chegar à órbita de Ryugu, em junho, onde se estabilizou em órbita a 20 quilômetros.Para soltar o Mascot nesta quarta-feira, Hayabusa2 se aproximou a apenas 51 metros e se desprendeu do aparelho exatamente à 01h57 GMT (22h57 em Brasília).- 'Obrigá-lo a se mover' -Após cair durante cerca de 10 minutos - a gravidade em Ryugu é 80.000 vezes menor do que na Terra -, Mascot pousou na superfície do asteroide, muito acidentada."Quicou na superfície durante cerca de 10 minutos e depois se estabilizou rapidamente", assinalou Moussi.Não obstante, "não estava corretamente focado, seus instrumentos apontavam para o céu", enquanto deveriam estar virados para o solo para que pudessem funcionar, disse Moussi pouco depois. "De urgência, tomamos a arriscada decisão de deslocar o Mascot para obrigá-lo a se mover, e focar do lado correto", acrescentou. "Uau! Ryugu é tão escuro que estou com problemas para me orientar", explicou Mascot no Twitter.Tudo voltou ao normal: "Mascot está agora na posição certa" e girou seus quatro instrumentos. "Tudo está indo bem", destacou a chefe do projeto.Mascot servirá como um "explorador", transmitindo durante sua curta vida os dados para Hayabusa2 a fim de, mais tarde, ajudá-la em sua principal tarefa: disparar violentamente um projétil sobre Ryugu para fazer um buraco na superfície e, então, recolher a poeira. Essas amostras chegarão à Terra a bordo da Hayabusa2 no final de 2020."É extremamente importante coletar dados diretamente da superfície do asteroide, por isso temos grandes expectativas", declarou à imprensa um dos diretores da Jaxa, Makoto Yoshikawa.O objetivo é contribuir para enriquecer o conhecimento do nosso ambiente espacial e "para entender melhor o aparecimento da vida na Terra", segundo Jaxa.Mascot é equipado com um microscópio infravermelho hiperespectral, desenvolvido pelo Instituto Francês de Astrofísica Espacial, que permitirá analisar a composição mineralógica do solo do asteroide.A missão, com um orçamento de 30 bilhões de ienes (230 milhões de euros), está se desenvolvendo, por enquanto, sem problemas.

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