Publicado 03 de Outubro de 2018 - 15h20

Por AFP

O cardeal arcebispo de Santiago, Ricardo Ezzati, escolheu nesta quarta-feira ficar em silêncio diante do promotor Emiliano Arias, que o intimou para depor como acusado do crime de ocultação de abuso sexual. Ezzati, a mais alta autoridade da Igreja católica chilena a sentar no banco dos réus, responde por supostamente encobrir o padre e ex-chanceler do arcebispado de Santiago, Oscar Muñoz, acusado de abuso sexual e estupro de pelo menos sete crianças.Muñoz foi o primeiro padre preso e levado à justiça em maio passado depois que o papa Francisco adotou medidas corretivas após a crise de abuso sexual de menores sofrida pela Igreja Católica do Chile.Ao chegar às dependências do Ministério Público de Rancagua, sul de Santiago, em meio a uma forte proteção policial e presença da mídia, Ezzati viu um solitário manifestante que exibia um cartaz com os dizeres: "Igreja romana depravada".Ao final de uma hora, o religioso deixou o prédio em meio ao caos, afirmando para todos: "Vamos colaborar com tudo".No entanto, seu advogado, Hugo Rivera, relatou mais tarde que Ezzati reservara seu direito de permanecer em silêncio. "Por enquanto o cardeal não fez declarações. Iremos discutir com o Ministério Público a declaração final", declarou o advogado."O covarde cardeal Ezzati vai testemunhar como acusado e decide não falar para não se incriminar. Onde está o 'colaborarei em tudo com a justiça'? Os bispos delinquentes vão ter que um dia acabar na cadeia, eles destruíram tantas vidas!", declarou, em seu Twitter, o jornalista Juan Carlos Cruz, vítima de abuso sexual pelo ex-padre Fernando Karadima, que o papa Francisco expulsou da Igreja na última sexta-feira.O advogado de Ezzati explicou que o religioso optou pelo silêncio nesta quarta após a decisão de terça-feira do tribunal de Rancagua de declarar-se "incompetente" em uma das acusações contra Oscar Muñoz e transferir o caso para Santiago.Sua posição à frente da Igreja está sob a lupa do papa Francisco, que está determinado a dar um fim ao que ele mesmo definiu como "uma cultura de abuso" na Igreja chilena.Algumas vozes asseguram que o pontífice o manteve em seu cargo porque não encontrou um substituto.No total, de acordo com um balanço mais recente do Ministério Público, o sistema de justiça chileno mantém 119 casos abertos por alegações de abuso sexual.msa-pa/af/lp/cn

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