Publicado 05 de Outubro de 2018 - 7h37

Por Henrique Hein

Eleitor recebe 'colinha' com ordem da votação: estratégia de marketing

Thomaz Marostegan/Especial para a AAN

Eleitor recebe 'colinha' com ordem da votação: estratégia de marketing

A dois dias da votação, o que não faltam são eleitores indecisos diante do pleito. Para tentar captar a atenção dessa fatia do eleitorado, um dos itens mais vistos nas ruas de Campinas são os famosos santinhos. O material está por toda parte: Centro, Taquaral, Barão Geraldo, Campos Elíseos e sobretudo em bairros mais afastados da área central, como nos distritos do Campo Grande e Ouro Verde.

As bandeiras, panfletos, cartazes e adesivos também são “armas” nesta reta final, onde o principal campo de batalha são os semáforos e os cruzamentos de importantes vias da cidade. O objetivo desse esforço de marketing tem um único objetivo: abocanhar votos aos “45 minutos do segundo tempo”. Mas, será que toda essa propaganda tem algum efeito prático no resultado final das eleições? O Correio foi atrás desta resposta.

Com 67 anos, a dona de casa Maria Rosa de Lima recebeu inúmeros santinhos ontem à tarde enquanto caminhava pela Rua 13 de Maio, no Centro de Campinas. Na sua visão, o material influencia muita gente. “Eu não levo isso em conta na hora de votar, porque sempre pesquiso os meus candidatos. Mas, como a maioria das pessoas não faz, eu tenho certeza que muitos políticos conseguem ganhar a eleição entregando santinhos. É uma pena, porque as pessoas tinham que ser mais bem instruídas”, afirmou.

O estudante Jorge Rodrigues, de 23 anos, conta que ainda não decidiu os seus candidatos a deputado estadual e federal. Apesar de nunca ter tido seu voto influenciado por santinhos, ele afirma que alguns amigos já “morderam a isca” nas últimas duas eleições “Eu acredito que a propaganda tenha sim algum tipo de efeito. Falo isso, porque alguns amigos meus não sabiam em quem votar em 2014 e 2016 e, optaram por escolher os deputados e os vereadores deles na base do santinho. Eu tenho a impressão até hoje, inclusive, de que eles nem pesquisam quem era o politico”, pontuou.

Especialista no assunto, a professora de marketing da PUC-Campinas Camila Brasil explicou que os santinhos hoje possuem menos peso do que em anos anteriores, por causa das redes sociais, como Facebook e WhatsApp. Segundo ela, a eleição de 2018 apresenta um carácter bastante diferente das anteriores, “É uma eleição mais pobre e com menos recursos, o que faz com que os candidatos optem por campanhas mais baratas do que o de costume. Nesse sentido, o que nós notamos é uma atuação mais direta das campanhas dos candidatos nos meios digitais, sobretudo nas redes sociais, por causa do grande público que esse meio consegue atingir”, disse.

Apesar disso, a especialista explica que os santinhos sempre serão um importante aliado dos políticos que querem conquistar os votos dos indecisos, já que uma boa maioria parcela dos brasileiros não tem acesso à internet. Segundo ela, o “santinho impresso” tem um efeito muito maior do que as bandeiras e os adesivos, sobretudo, nos eleitores que não apresentam restrição a propaganda partidária do candidato.

“É uma questão de praticidade mesmo. O indeciso recebe o papelzinho pronto, com o nome e o número do candidato. É só ele chegar em casa e anotar o número quando quiser. Se ele se considera petista e está indeciso, por exemplo, e recebe uma propaganda de um candidato do PT na rua, dificilmente ele vai oferecer resistência ou torcer o nariz para o candidato e, nesse sentido, a chance do santinho fazer efeito é bastante plausível. O mesmo já não acontece se alguém que se considera anti-petista receber um santinho de qualquer candidato do PT”, frisou Camila.

A afirmação apresentada por ela vai de encontro com o que fez o estudante Juliano Barbieri, de 22 anos, na eleição de 2014. Ele comentou, que na ocasião, recebeu um santinho horas antes de votar. “Eu sempre me identifiquei muito com as políticas do PT, mas não sabia em quem votar para deputado federal na última eleição. Foi quando eu estava saindo da academia e me deparei com uma pessoa me entregando uma propaganda política no estacionamento. Como era um candidato do PT e eu nunca tinha ouvido falar nada de ruim daquele cara, eu aproveitei e votei nele, mas hoje acho que não faria mais isso”, revelou.

Correio terá edição extra na segunda

O Correio fará uma edição extra das eleições na próxima segunda-feira, 8 de outubro. Ela circulará nas bancas e para os assinantes. A edição será focada exclusivamente na cobertura eleitoral. A redação estará mobilizada desde o início da manhã, com atualização em tempo real das notícias no site correio.rac.com.br. A edição oferecerá aos leitores, além dos resultados nacional e estadual, um olhar regional sobre como votaram Campinas e as cidades da RMC.

Escrito por:

Henrique Hein