Publicado 04 de Outubro de 2018 - 7h22

Por Rogério Verzignasse

Artistas plásticos e educadores, idealizadores do coletivo em 2016, atuam em frentes para ocupar o local com diversas atividades lúdicas e também para recuperar o casarão-sede, um patrimônio tombado de Campinas

Leandro Torres/AAN

Artistas plásticos e educadores, idealizadores do coletivo em 2016, atuam em frentes para ocupar o local com diversas atividades lúdicas e também para recuperar o casarão-sede, um patrimônio tombado de Campinas

Um grupo formado por artistas plásticos e educadores de Campinas trabalha para transformar o Parque Ecológico em um ponto de divulgação de conhecimento e difusão dos valores ecológicos. Por meio de exposições artísticas, curadorias, shows e palestras, o projeto pretende definitivamente levar o público a um espaço que, apesar de belíssimo, ainda é pouco frequentado. 

O Museu de Biologia e Arte de Campinas (Mubac) foi idealizado ainda em 2016. Desde então, o grupo organizou e custeou, de forma voluntária, ocupações artísticas e números circenses. As fotos do projeto-piloto mostram o público tomando o gramado.

Agora, os jovens começam uma nova etapa. Eles conseguiram o apoio institucional da Prefeitura para promover os eventos culturais e ecológicos nas dependências do parque, e estão autorizados a procurar patrocínio para eventos pontuais.

Função social

A proposta social do grupo é muito clara. Os idealizadores querem que alunos da Rede Pública de Ensino e a comunidade carente tenham acesso à produção cultural campineira, atualmente só acessível a quem tem dinheiro para frequentar galerias. Se pretende popularizar a arte.

A consciência ecológica é consequência. Depois de aprender sobre a riqueza da fauna e da flora do parque, por exemplo, a garotada vai se divertir pintando quadros, fazendo esculturas e assistindo peças teatrais sobre os temas estudados. Vai se fazer arte a partir do conhecimento. Os temas são infinitos: escassez híbrida, poluição atmosférica, preservação das espécies, alimentação orgânica.

O projeto também quer fazer do Ecológico um centro de exposição sobre os avanços científicos e tecnológicos, em benefício da vida humana.

Nova cultura

“A ecologização social é mais que necessária. Nossos modelos de consumo estão desajustados em relação à real condição da Terra. Perdemos nosso patrimônio ecológico dia a dia, e o futuro é muito preocupante”, afirma o diretor do museu, Rodrigo Binotto Nini. “Precisamos mudar nossa cultura, ser ambientalmente responsáveis.”

O pessoal do Mubac planeja transformar o velho restaurante do Ecológico, ao lado do lago, em uma espécie de sede do grupo. Ali se pretende montar exposições e receber palestrantes convidados.

Todos sabem: o parque passa por reformas (caras) e ainda carece de muitos investimentos estruturais. Além da substituição das telhas rachadas e da instalação de torneiras, a organização vai precisar de equipamentos para exposição de áudio e vídeo, por exemplo. Vai dinheiro. E o poder público não pode assumir todas as despesas.

Por isso, os rapazes do grupo se movimentam para agendar os primeiros eventos, com institutos de defesa ecológica que trarão os próprios equipamentos e com palestras voluntárias. Com o tempo, fala, o engajamento de patrocinadores vai bancar as despesas.

Trupe reúne profissionais multidisciplinares

Rodrigo Binotto Nini, fundador do Mubac, é administrador de empresas de formação. Ele conta que largou a pós-graduação para trabalhar em um sítio de produção de alimentos orgânicos. Virou curador de uma galeria de artes em Alto Paraíso de Goiás. Por aqui, onde mora a família, ele andou fazendo ocupações artísticas, com o dinheiro do bolso. Se juntou a uma turma de idealistas. Como os artistas plásticos Beatriz Dias e Pedro Bienroth (o Druis); os educadores Paloma Cassari e Diego Garcia; a designer de acessibilidade Kosuke Takahashi, os promotores de eventos Rafael Garcia Vaz de Lima e Rafael Pagliarini. Pelo bem do planeta, diz o diretor, o projeto vale a pena.

Grupo quer resgatar casarão da Mato Dentro

Além de incentivar a presença do público no Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, o Mubac nasce com um outro objetivo fundamental: fazer com que o engajamento da sociedade civil possa ajudar o poder público a resgatar o antigo casarão-sede da Fazenda Mato Dentro, patrimônio cultural e arquitetônico de Campinas, dentro do Ecológico.

Os cômodos abrigam artefatos históricos que correm o risco de desaparecer. Não é só uma questão de recuperar um prédio. A ocupação artística, segundo a direção do Mubac, vai convidar o público a conhecer e se orgulhar da história da cidade.

FIQUE POR DENTRO

As pessoas interessadas em obter informações mais detalhadas sobre o projeto cultural e ecológico ou que queiram sugerir projetos podem entrar em contato pelo e-mail: [email protected]

Escrito por:

Rogério Verzignasse