Publicado 03 de Outubro de 2018 - 7h41

Por Alenita Ramirez

De acordo com moradores, sem estrutura mínima, crianças e jovens ficam mais vulneráveis ao crime em bairros como o Jardim Campituba

Cedoc/RAC

De acordo com moradores, sem estrutura mínima, crianças e jovens ficam mais vulneráveis ao crime em bairros como o Jardim Campituba

Vitória tem três anos de idade e não frequenta creche. Ela mora no Jardim Campituba, localizado a cerca de 18 km do Centro de Campinas. A menininha desinibida e esperta, passa o dia dentro de casa com a mãe e uma irmã deficiente. Brincadeiras? Sozinha e uma vez ou outra com uma vizinha. Como não tem brinquedos porque a família é carente, ela brinca com o batom da mãe, com o caderno e a caneta da irmã mais velha.

Assim como Vitória, as cerca de 20 mil crianças que moram na região do Campo Belo, segundo o presidente da Associação de Moradores do Jardim Campituba, José Aparecido dos Santos, também sofrem com a falta de uma área de esporte e lazer nos bairros. A ausência desses dois setores tem sido uma porta aberta para o envolvimento de crianças e adolescentes no mundo do crime, em especial, com drogas.

“A violência existe em todo o lugar, mas em muitos locais há áreas de lazer e cultura para envolver os jovens e afastar do mundo da violência. Aqui na nossa região as crianças e os jovens não têm para onde ir. Nem creches têm”, disse Santos. Segundo ele, as crianças são levadas para unidades distantes 15 km de suas casas.

O desabafo aconteceu na manhã da última segunda-feira, quando um ajudante de pedreiro foi morto com seis tiros na frente do filho de 5 anos e da mulher em plena luz do dia. Ao todo, são 19 bairros e nenhum deles, segundo Santos, conta com equipamentos de lazer e esporte.

Além da falta de lazer, os moradores também sofrem com a falta de estrutura básica, como pavimentação nas ruas e esgoto. Também há falta de identificação das ruas. A maior parte é conhecida por números e eles se repetem nos bairros. Como são muitos próximos, achar um endereço no local é quase que impossível. “A falta de equipamentos públicos, de estrutura, tudo contribuem para o aumento da violência. É triste. Moro aqui há 23 anos e nada muda. Já fizemos tantos pedidos na Prefeitura, e um joga para o outro o problema, sem que se resolva”, disse Santos.

Escrito por:

Alenita Ramirez