Publicado 03 de Outubro de 2018 - 7h40

Por Maria Teresa Costa

Funcionário da Justiça Eleitoral organiza urnas já lacradas e encaixotadas

Leandro Ferreira/AAN

Funcionário da Justiça Eleitoral organiza urnas já lacradas e encaixotadas

Os pequenos partidos da Região Metropolitana de Campinas (RMC) aumentaram o número de candidatos nas eleições de 2018 em relação a 2014, enquanto legendas tradicionais, como o PSDB, MDB, PDT, PT, PTB e PSB, reduziram os nomes na disputa à Assembleia Legislativa e Câmara Federal. São 28 partidos na região disputando vaga a deputado estadual e federal. A liderança em números de candidatos é do PSOL, que este ano concorre com 12 candidatos, cinco a mais do que em 2014.

Partido como o PSL, de Jair Bolsonaro, está concorrendo com sete candidatos na RMC, 75% a mais que na eleição de 2014. O PRB está com cinco candidatos — há quatro anos, concorreu com apenas um. O PROS cresceu em 50% a participação na disputa e o Solidariedade aumentou em 25%. O PR tem sete concorrendo contra seis em 2014.

Já os grandes partidos preferiram não pulverizar votos entre muitos candidatos e reduziram o número na disputa. O PT, há quatro anos, lançou 15 candidatos, agora está com nove na região. O MDB reduziu de 13 para 8, o PSDB, de seis para cinco, enquanto o PTB diminuiu de cinco para apenas um.

O investimento dos pequenos partidos em candidaturas pode ser explicado, segundo o cientista político Henrique Spinola, do Centro de Estudos Políticos e Sociais, pela cláusula de barreira. As legendas que não conseguirem eleger ao menos nove deputados federais em nove unidades diferentes da federação, ou tiverem menos de 1,5% do total de votos na Câmara com pelo menos 1% dos votos em cada unidade da federação, não terão mais acesso à estrutura dentro do Congresso, como espaço físico e funcionários para a liderança, nem acesso ao fundo partidário ou tempo gratuito de rádio e televisão para as campanhas.

O esforço dos pequenos partidos para conseguir eleger um número significativo de candidatos será a garantia da sobrevivência das legendas, disse. Já as grandes legendas optaram por concentrar recursos em candidatos com chances de vitória. “Por isso, o esperado é que a renovação seja pequena. Neste ano, sem doação de empresas, os partidos precisaram contar com doações de pessoas físicas e os fundos partidário e eleitoral. O fundo partidário fica nas mãos da direção dos partidos, que tendem a investir em candidatos viáveis”, avaliou.

O presidente do MDB de Campinas, Arnaldo Salvetti, acredita que o menor número de candidatos nas grandes legendas está relacionado à desmotivação das pessoas para se lançarem na disputa, por causa de toda a situação de corrupção, que acabou colocando todos os políticos na mesma avaliação. Além disso, sem a possibilidade de apoio de empresários, os candidatos tentam conseguir doação de pessoas físicas, que nem sempre querem ver seu nome ligado a um candidato. “Isso gera desmotivação total para alguém sair candidato”, disse.

Partidos pequenos, como o PRB, optaram por concentra as candidaturas no Estado e por pulverizar as regiões com nomes com potencial de voto. A chapa para deputado estadual, disse o presidente da legenda, Adilson Momente, está em coligação, mas a de federal é chapa pura. Ele disse que o partido trabalha para eleger oito deputados federais no Estado.

“Não temos problemas com cláusula de barreira, mas em 2020 teremos porque os partidos precisarão concorrer com chapa pura”, disse. Ele disse que o partido teve de abrir mão de muitas candidaturas que não tinham base e potencial de voto e centrar esforços naqueles que podem se eleger.

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Maria Teresa Costa