Publicado 13 de Agosto de 2018 - 17h09

Por Adagoberto F. Baptista

Luizão recebe passe de cabeça fora da área, mata no peito tirando o defensor adversário e bate de direita, no ângulo, sem chances para o goleiro Ricardo Cruz. O gol deu a vitória ao Guarani diante da Ponte Preta por 2 a 1, pelo Campeonato Paulista de 1993, em pleno Moisés Lucarelli, para tristeza dos alvinegros e alegria dos bugrinos. Passados 25 anos, o tento ainda é tratado pelo ex-atleta como um dos mais especiais de sua carreira, que é recheada de emoções e conquistas.

"Foi meu primeiro gol como profissional, na estreia em dérbis...Fiz vários gols marcantes, como em finais e também pela Seleção Brasileira, mas esse contra a Ponte foi muito especial", contou.

A idolatria alviverde, contudo, correu sério risco de nunca acontecer. Não pelo seu indiscutível talento, mas sim pelas adversidades que marcaram sua trajetória. Natural de Rubineia-SP, Luizão chegou ao Brinco de Ouro para realizar testes após indicação do ex-jogador Marquinhos de Paula, em 1990. Após os primeiros sete dias, ouviu o pedido para retornar meses depois.

"Eu disse que não tinha como, porque iria pro Flamengo. Então o dirigente me pediu para voltar na semana seguinte, só que eu avisei que não tinha dinheiro. Eles então falaram que eu podia ir, porque pagariam. Retornei, passei no teste no segundo dia de treino e aí começou minha história no clube."

Para fazer o primeiro teste na equipe campineira, o pai de Luizão precisou pegar dinheiro emprestado, porque a família não possuía condições de pagar a ida e a volta. Depois, já morando no alojamento do clube, as dificuldades continuaram. "A última refeição era às 18h, depois não tinha mais, só no dia seguinte. Acontecia de jogar no sábado e ter de ficar lá o tempo todo sem ter o que fazer, não tinha dinheiro para nada, não dava para tomar um sorvete, não podia usar a piscina ou as instalações do clube. Foi bem complicado", disse.

Todos os problemas não foram capazes de atrapalhar a vontade de vencer do jogador, que em campo, justificava o esforço com gols aos montes. Foi no Guarani que atuou ao lado daquele que considera seu melhor parceiro de ataque em toda sua carreira.

"Devo tudo ao Guarani, é um clube que gosto muito. O ano de 1994 foi bem marcante sem dúvidas, porque fiz aquela dupla formidável com o Amoroso, foi a nossa afirmação depois de anos sem jogar juntos, já que estivemos lado a lado no juvenil também. A época foi especial, o Carlos Alberto Silva (treinador) era um grande pai para nós."

Brilho nos paulistas

Com passagens por diversos times como Vasco, Santos, Botafogo e Flamengo, o ex-atacante conseguiu brilhar ainda pelos três times da capital paulista. No Palmeiras, marcou 56 gols em 91 jogos, se tornando campeão estadual de 1996. Pelo Corinthians, levantou as taças do Paulistão de 1999 e 2001, Brasileirão de 1999, Mundial de 2000, Rio-São Paulo e Copa do Brasil de 2002. Por fim, no São Paulo, se sagrou campeão do Paulistão e da Libertadores de 2005.

"Tenho carinho pelos três, porque foram em momentos diferentes da minha vida. Um no começo, outro no meio e outro no fim. Eu nunca provoquei torcida nenhuma, sempre procurei fazer meu trabalho, respeitando os torcedores e honrando as camisas que vesti.”

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Adagoberto F. Baptista