Publicado 13 de Agosto de 2018 - 18h00

Por Adagoberto F. Baptista

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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A redução em 48% na vazão do Rio Atibaia nos últimos cinco dias, levou o Sistema Cantareira a ampliar ontem a descarga de água no Rio Atibaia. A medida atendeu solicitação dos Comitês das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). A liberação foi aumentada de 2 metros cúbicos por segundo (m3/s) para 6 m3/s no Rio Atibaia (metade pela represa Atibaia e metade pela Cachoeira) e mantido 1 m3/s no Rio Jaguari.

A Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico deve pedir hoje mais aumento de liberação de água, mas isso ainda vai depender de uma investigação que está sendo feita de suspeita de que alguma manobra pode ter ocorrido ao longo do rio, perto de onde a Sociedade de Abastecimento de Água e Abastecimento (Sanasa) faz a captação, que fez baixar ontem a vazão do Atibaia. O volume que está passando no Atibaia não compromete o abastecimento.

O coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico, Alexandre Vilella, disse que em seis dias a vazão do Atibaia em Valinhos teve uma queda de 14 m3/s, situação preocupante e que não ocorria há mais de dez anos. “Normalmente, depois da chuva, o rio sobe e depois vai baixando até 12, 13 m3/s, para em seguida cair lentamente. Dessa vez houve uma queda muito rápida. No terceiro dia já tomamos medida de aumentar a descarga do Cantareira”, disse.

Segundo ele, duas situações podem ter ocorrido para isso. Uma é a operação da pequena central hidrelétrica de Salto Grande, que fica no Atibaia, entre Campinas e Valinhos, mas ele não acredita nessa hipótese, por causa da queda abrupta. Outra é o chamado efeito esponja – depois de longo período sem chuva, quando ela vem o solo não consegue absorver a água e ela segue em frente pelo rio.

A Câmara Técnica está em contato com Jundiaí para ver possibilidade de a cidade reduzir a captação no Atibaia. “Vamos aguardar até o final da tarde para ver como o rio vai se comportar e se a baixa vazão se mantiver, amanhã (hoje) vamos solicitar mais liberação de água do Cantareira”, afirmou o coordenador adjunto, Paulo Tinel.

O Rio Atibaia é responsável pelo abastecimento de 95% da população de Campinas. No final de semana, o manancial estava registrando uma vazão de 11,67 m3/s no posto de monitoramento em Valinhos, situado cerca de um quilômetro do ponto onde a Sanasa faz a captação no rio Atibaia. Ontem a vazão estava em 8,66 m3/s, metade da média que registrada no mês e 25,7% abaixo da média histórica para agosto.

O aumento da descarga do Cantareira foi pedido porque não há previsão de chuvas significativas em curto prazo e que é preciso levar em consideração também o tempo de trânsito da água liberada entre os reservatórios e os usos.

No período de seca, como o que ocorre agora, a outorga do Cantareira garante que a vazão mínima a ser liberada para as Bacias PCJ será de 10m³/s, no posto de controle de Valinhos, e de 2m³/s, no posto de controle de Buenópolis.

O Sistema Cantareira continua operando na faixa de alerta (abaixo de 40% de sua capacidade de armazenamento, sem contar o volume morto). Ontem o sistema estava armazenando 389 bilhões de litros, o equivalente a 39,7% da capacidade de volume útil. Este mês choveu 63,6 milímetros na região dos reservatórios do Cantareira, volume 84,5% maior que a média história de agosto.

As novas regras de operação do sistema definem que a Sabesp está autorizada a utilizar a vazão máxima média mensal de até 33m³/s do Cantareira. A operação do Sistema se dá por cinco faixas de consumo diretamente condicionadas ao nível do reservatório, sem incluir a reserva técnica. Hoje, com operação no nível de alerta, a vazão máxima autorizada para abastecer a Grande São Paulo é de 27 m3/s.

RETRANCA

O secretário estadual de Recursos Hídricos, Ricardo Borsari, disse ontem em Campinas que até o final do mês deve assinar a ordem de serviço para o início da construção da represa no Rio Jaguari, entre Pedreira e Campinas. O governo aguarda a liberação, pela Companha Ambiental do Estado (Cetesb), da licença de instalação, que permitirá o início das obras.

A outra represa, prevista no Rio Camanducaia, em Amparo, ainda não conseguiu a outorga da Agência Nacional de Água (ANA) porque a qualidade do rio, com alta concentração de fósforo, impede seu uso para o abastecimento. As duas represas reduzirão a dependência da região de Campinas do Sistema Cantareira.

De acordo com o projeto, o reservatório de Pedreira ocupará uma área de 2,1 quilômetros quadrados no Rio Jaguari e vai permitir uma vazão regularizada de 9,6 mil litros de água por segundo. O reservatório Duas Pontes, no Rio Camanducaia, deverá ocupar uma área de 4,6 quilômetros quadrados e vai permitir uma vazão regularizada de 9,8 mil litros de água por segundo, segundo o Daee.

As duas barragens serão executadas pelo Consórcio BP OAS/Cetenco, formado pelas empresas OAS Engenharia e Construção S.A. e Cetenco Engenharia S.A. A barragem de Amparo terá custo de R$ 196,09 milhões e a de Pedreira, R$ 230,9 milhões.

As obras serão custeadas por um empréstimo internacional de US$ 204 milhões junto a Corporação Andina de Fomento (CAF) tomado para implantação de um projeto de macrodrenagem em Guarulhos. Parte dessa verba, já autorizada pelo Tesouro Nacional, irá para as represas.

ELEMENTO

39,7

POR CENTO

É o volume útil armazenado ontem Sistema Cantareira

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Adagoberto F. Baptista