Publicado 10 de Agosto de 2018 - 18h41

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Divulgação Cedoc

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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Campinas é o terceiro município com maior número de fertilizações in vitro no Estado de São Paulo. A informação é do relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). São Paulo é quem lidera o ranking com 58% dos procedimentos, seguida por Ribeirão Preto, com 16%, e Campinas, 9%. O Estado é também quem lidera os procedimentos realizados de 2017, seguido de Minas Gerais e Rio de Janeiro, respectivamente. Ao todo, foram 16.357 procedimentos realizados em todo Estado ao longo do ano passado, contra 15.191 de 2016 – um aumento de 8% em relação aos dois períodos. Juntos, os dados das cidades paulistas correspondem a 45% dos registros no Brasil. Em âmbito nacional, foram 36.307 procedimentos realizados, em 2017, contra 33.790 de 2016, o que corresponde a um aumento de cerca de 7%.

Além da Anvisa, dados do Ministério da Saúde apontam também que o número de mulheres que foram mães após os 40 anos subiu 49,5%, nos últimos 20 anos. As estatísticas mais atualizadas são de 2015 e mostram que 72.290 dessas mães tinham entre 40 e 44 anos e outras 4.475 estavam na faixa etária dos 45 aos 49. Houve ainda 373 brasileiras que se aventuraram na maternidade após os 50 – entre elas, 21 já eram sexagenárias quando deram à luz.

Segundo Flávia Torelli, ginecologista e especialista em reprodução assistida do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a maior procura pela fertilização em vitro se deve a mudança no perfil da sociedade. “É um assunto que vem sendo cada vez mais debatido em Jornais, Rádio, Televisão e também em redes sociais, já que muitas mulheres que querem engravidar estão buscando participar de fóruns e comunidades virtuais com o intuito de buscar uma ajuda e se informar melhor sobre o assunto”, explicou. Para ela. Campinas é uma cidade que possui uma procura muito alta de pessoas interessadas no tratamento, por dois motivos. “É uma cidade de grande porte e com um polo tecnológico imenso. Voluntariamente, ela atrai muitas pessoas por conta de tudo isso. Muitas pessoas que moram em cidades próximas, preferem, inclusive, fazer o procedimento aqui do que ir até São Paulo, por exemplo”, comentou.

A especialista ainda destacou ainda que o número de mulheres com 40 anos ou mais em busca da técnica de reprodução em laboratórios tem relação direta com a evolução da tecnologia. “A fertilização in vitro, assim como toda a medicina, evoluiu muito desde o primeiro procedimento realizado com sucesso, há 40 anos. Antes apenas 5% das pacientes conseguiam engravidar e hoje esse índice já atingiu mais de 50% de eficacia. O que temos visto é que, por conta disso, é uma procura muito grandes mulheres, acima dos 40 anos, que enxergam na medicina a possibilidade de realizar o sonho de ter um filho”, relatou.

Fertilização em vitro

A técnica de fertilização em vitro, consiste em fertilizar o óvulo de um paciente em um ambiente de laboratório, fora do corpo da mulher. O tratamento é uma opção para casais inférteis que desejam ter filhos. Para realizá-lo, o casal precisa passar por alguns exames. A futura mãe, por exemplo, faz avaliação hormonal, ultrassonografia e histeroscopia, para conferir útero, trompas e ovário. Já o pai passa por um espermograma para saber a quantidade e a qualidade de seus espermatozoides. Também há testes de doenças infecciosas ou sexualmente transmissíveis.

Feito o diagnostico, a mulher passa a se aplicar injeções com doses diárias de hormônios, enquanto os exames de ultrassom acompanham o crescimento dos folículos (uma espécie de bolsas onde ficam os óvulos). Depois, os espermatozoides são adicionados aos gametas femininos para que um deles consiga fecundar o óvulo. Após a fertilização, o embrião é mantido em uma incubadora, onde começa a divisão celular. Após aproximadamente cinco dias, o embrião é enfim colocado no útero da mulher.

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Adagoberto F. Baptista