Publicado 14 de Agosto de 2018 - 5h30

A realização do primeiro debate na televisão entre os presidenciáveis marcou na semana passada o início efetivo das campanhas eleitorais, destacados os principais nomes na disputa de acordo com as regras que configuraram o evento, que visa trazer aos eleitores um confronto direto de ideias dos candidatos e sua capacidade de comunicação com a sociedade. O modelo engessado do evento, que busca dar um necessário equilíbrio entre os convidados, transforma o programa em uma disputa entre a malandragem e capacidade de sair de situações constrangedoras, mais do que trazer temas fundamentais para a escolha do mais preparado para as funções de um presidente da República.

O que mais se viu foi uma pantomima de frases de efeito, perguntas capciosas e respostas sutilmente preparadas, de ataques virulentos direcionados aos candidatos mais destacados, de franco-atiradores que nada tinham a perder, de posturas claramente ensaiadas para forjar imagens de segurança, objetividade, capacidade de diálogo e entendimento. Tudo falso como nota de três reais, uma encenação que apenas confunde e constrói imagens que convém àqueles que são reconhecidos pela intemperança verbal e ideias controvertidas.

Os debates são um importante recurso para expor ao público uma das faces dos candidatos, embora sejam mais divulgadas as repercussões e análises sobre o desempenho dos debatedores do que propriamente os programas, realizados tarde da noite e de acordo com regras que impedem o aprofundamento de ideias e propostas dos candidatos. Não por acaso repercutiram no noticiário e nas redes sociais mais as gafes e impropriedades dos entrevistados do que seus planos de governo e metas políticas a serem atingidos durante eventual mandato.

É preciso considerar que, a um presidente, não se pode exigir apenas capacidade de articular discursos ou parecer simpático, bem-apresentado, loquaz ou articulado; Moisés liderou um povo pelo deserto por 40 anos sendo gago e temperamental, segundo a Bíblia. Cabe analisar sua capacidade de gestão, de articulação política fazendo alianças importantes, de cercar-se de pessoal competente nas pastas ministeriais, de ter um plano de governo sério e adequado, de agir com decência e representatividade, pautado pela legalidade e pelo respeito à Nação. Enquanto os debates suscitarem motivos para criação de memes nas redes sociais ou críticas superficiais, terão função secundária no processo de escolha dos políticos. Afinal, o teclado das urnas serve apenas para apurar a consciência política da sociedade.