Publicado 13 de Agosto de 2018 - 5h30

Em muitos setores o Estado brasileiro tem se mostrado inadimplente com a qualidade dos serviços prestados e oferecidos aos cidadãos, em flagrante desgaste de uma estrutura que carece de maior competência, gestão profissionalizada, conceitos de trabalho e visão administrativa condizente com os recursos que são disponibilizados para o funcionamento adequado, rentável e dentro de padrões modernos. O que mais se verifica na atuação do Estado como provedor de serviços é um aviltamento das condições de operação, a desqualificação dos profissionais envolvidos, o desperdício de verbas, a falta de investimentos em modernização, resultando em condições que comprometem a eficiência e denunciam um estado de abandono sério.

Um dos exemplos mais evidentes são as condições de funcionamento no serviço dos Correios e Telégrafos, praticamente um monopólio que existe há décadas como setor estratégico, que ultimamente tem sido marcado por um crítico estado de inoperância. Reconhecido como um serviço de alta qualidade e precisão – até há pouco, não se questionava o destino de correspondências e a empresa era referência em confiabilidade – os Correios são hoje símbolo de ineficácia e responsáveis pelo atraso crônico na entrega de correspondências, comprometendo seriamente prazos dos destinatários. São frequentes as reclamações de atrasos, mesmo em serviços sobretaxados para atender à urgência requerida em alguns casos. Faltam funcionários, os que estão na ativa promovem greves regulares por melhores salários e condições de trabalho, não se encontram materiais básicos para o atendimento (Correio Popular, 10/8, A4).

Não é de hoje que a empresa vem se degradando a olhos vistos, frustrando todos os esforços possíveis de modernização e quebra de práticas nefastas que ao longo dos anos vêm sacrificando a eficácia do serviço, que perde espaço com as alternativas colocadas no mercado, além da mudança radical de comportamento da sociedade, que hoje conta com meios digitais que vêm substituindo com velocidade alucinante as formas de comunicação. Se os Correios não adotarem medidas sérias de estruturação e modernização, estarão condenados à quebra definitiva de um status que lhe confere a primazia nos serviços de correspondência no Brasil. Nestes casos, o fim de privilégios, da reserva de mercado e abertura para uma concorrência saudável costumam ser antídotos eficazes para adequar um setor essencial que parece estar mergulhado no marasmo e comodismo de muitas das estatais.