Publicado 12 de Agosto de 2018 - 5h30

Com a proximidade das eleições, os partidos assumem um protagonismo que lhes é garantido pela legislação, articulando as candidaturas em todos os níveis, negociando coligações, administrando os recursos que cabem pelo financiamento público e utilizando os horários que lhes são gratuitos, mas pagos indiretamente pelos contribuintes. Dominados pelos caciques de sempre, chegam a apregoar mudanças, conceitos ideológicos, programas de governos e intenções democráticas, que apenas disfarçam o verdadeiro espírito que norteia a política nacional: a briga pelo poder a qualquer preço, sacrificando carreiras, esforços de renovação, práticas novas que possam atender aos anseios da sociedade e construir uma nação bem representada.

Os partidos políticos não passam hoje de agremiações onde todos devem passar pelo beija-mão das lideranças encasteladas nas siglas para conseguir um espaço e mesmo a legenda para concorrer aos mandatos públicos, quando não as nomeações para os cargos comissionados na burocracia estatal. Um desvirtuamento que custa caro aos cidadãos, que buscam um rumo diferente e um mínimo de coerência com os discursos de campanhas.

As eleições em curso demonstram o apego dos políticos às velhas estruturas. A pantomima do ex-presidente Lula e seu Partido dos Trabalhadores (PT), que mesmo encarcerado ensaia uma maneira canhestra de manter-se como líder inconteste, com o único objetivo de tumultuar o processo em benefício próprio, é o símbolo maior de manipulação para distorcer as regras, confundir os eleitores mais desavisados. Os demais partidos jogam seu cacife para articular composições que envergonhariam seus membros, com o intuito de tirar vantagens nas eleições e no bolo a ser dividido pelos vencedores.

Os programas partidários são peças de ficção, com conceitos que facilmente são deixados de lado por conta das circunstâncias, mesmo que ainda resvalem em epítetos que os rotulam entre a direita e esquerda, em falso maniqueísmo sem qualquer traço ideológico mais consistente. Em meio a este emaranhado, grupos se apropriam de temas caros ao eleitorado, como se fossem os dignitários das virtudes, deixando para os demais a pecha de inimigos do povo. Aos eleitores, cabe distinguir o quanto de verdade e realidade se pode depreender dos discursos inflamados, das colocações polêmicas, das soluções messiânicas que nem mesmo são atribuições de presidentes, governadores ou parlamentares, esquecendo que uma sigla, na política brasileira de hoje, é apenas a fachada para o real poder de seus caciques.