Publicado 11 de Agosto de 2018 - 5h30

Até que se proclamem os resultados das próximas eleições, deve permanecer o quadro de instabilidade na economia brasileira, que vive a expectativa de como os graves problemas do País serão enfrentados pelos novos governantes. Temas importantes têm sido deixados de lado para dar espaço aos discursos eleitorais, que nem de perto resvalam nas questões primordiais para a recuperação. A propalada reforma da Previdência, colocada como eixo fundamental para o equilíbrio das contas públicas em futuro próximo, foi deixada de lado pelo estado de ingovernabilidade de Michel Temer (MDB), que assumiu a Presidência com a possibilidade de fazer as mudanças essenciais em seu mandato-tampão e acabou minado em sua influência por conta de denúncias que transformaram a relação Planalto-Congresso em ações de autopreservação.

Os sucessivos erros de gestão, os entraves políticos – incluído um traumático processo de impeachment –, a volatilidade das relações entre os poderes, tudo levou ao adiamento de providências urgentes que poderiam ter deixado o Brasil em situação mais equilibrada na próxima transmissão de posse. Logo após o afastamento de Dilma Rousseff (PT), conseguiu-se reverter a recessão, assuntos importantes entraram na agenda dos políticos, a inflação voltou a patamares aceitáveis, os investimentos foram retomados, ainda que timidamente. Mas tudo refluiu na esteira dos escândalos políticos e o País parece estagnado à espera de seus novos representantes.

O secretário do Tesouro Nacional Mansueto de Almeida disse nesta semana que, a exemplo dos anos 80, o Brasil vive mais uma década perdida em virtude de erros cometidos por governos passados e que se o Brasil crescer numa média de 3% até 2020, vamos apenas recuperar o que produzimos em 2011 e 2012. Para ele, o cerne da crise está justamente na reforma da Previdência e que o aumento de gastos, mais do que a redução das receitas, é a principal origem do buraco nas contas públicas do País. É no desempenho das estatais que repousa a expectativa de um superávit orçamentário para o equilíbrio financeiro (Correio Popular, 8/8, A11). É uma análise que confirma uma percepção clara da crise brasileira, ressaltando o impasse do sistema previdenciário e a necessidade de enxugar os gastos estatais. Um programa mínimo que seria de se esperar ser detalhado pelos novos governantes, mas que esbarra na dureza das medidas exigidas, levando as campanhas para o lado fácil das promessas que se sabem nunca serão cumpridas.