Publicado 14 de Agosto de 2018 - 9h30

Por AFP

Quarenta crianças estão entre as 51 pessoas mortas na última quinta-feira no norte do Iêmen, em um ataque aéreo atribuído à coalizão liderada pela Arábia Saudita, o qual provocou uma onda de críticas internacionais - aponta novo balanço da Cruz Vermelha divulgado nesta terça-feira (14).Este balanço lembra o alto preço pago pelos civis em um conflito que já leva mais de três anos sem perspectiva de solução à vista.A maioria dos mortos foi enterrada na segunda-feira, em cerimônia organizada pelos rebeldes huthis, apoiados pelo Irã, em seu feudo de Saada, no norte do país.Nessa cerimônia, milhares de iemenitas se manifestaram para expressar sua indignação contra Arábia Saudita e Estados Unidos. A multidão presente denunciou "um crime dos sauditas contra a infância iemenita".Os caixões foram levados para uma grande praça em Saada, a bordo de cerca de 50 veículos cobertos com bandeiras verdes. Também cobertos de verde e com os retratos das vítimas, os caixões foram colocados no chão para a cerimônia.O presidente do "Comitê Revolucionário", Mohamed Ali al-Huti, participou do enterro coletivo, onde denunciou "o crime da América e de seus aliados contra as crianças do Iêmen".Os menores, a maioria na faixa dos 15 anos, morreram na quinta-feira passada durante um bombardeio aéreo contra um ônibus que circulava em meio a um mercado muito frequentado em Dahyan, na província de Saada, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR). Era uma excursão escolar muito esperada pelos menores, contaram familiares das vítimas.- Comoção -A Cruz Vermelha divulgou hoje o novo balanço em um breve comunicado publicado por seu escritório em Sanaa.O número de mortos chega a 51, entre eles 40 menores, e o de feridos, a 79, incluindo 56 menores, de acordo com o CICR.Este balanço converge com o número informado pelos rebeldes huthis, que denunciaram um "massacre" cometido pela força aérea saudita contra menores no Iêmen.Este ataque provocou comoção e apelos da ONU e de Washington, em especial, para que se abra uma investigação.Na sexta-feira, a coalizão que luta no Iêmen contra os huthis anunciou a abertura de uma investigação, mencionando os "danos colaterais sofridos por um ônibus de passageiros" durante uma operação realizada por suas forças.Já o Conselho de Segurança da ONU pediu uma investigação "confiável", mas se absteve de exigir que fosse independente, como o fizeram, de maneira clara, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e a Holanda.A coordenadora humanitária da ONU para o Iêmen, Lise Grande, havia denunciado um ato "horrível e totalmente inaceitável" e fez um apelo para que "se abra os olhos diante do que está acontecendo no Iêmen".A coalizão foi acusada, várias vezes, de cometer erros que custaram a vida de civis. Embora tenha admitido sua responsabilidade em alguns ataques, costuma acusar os huthis de se misturarem com os civis, ou de usá-los como escudo humano.A guerra no Iêmen deixou mais de 10.000 mortos desde o início da intervenção da coalizão em março de 2015 e provocou a pior crise humanitária no mundo, segundo a ONU.Os rebeldes são apoiados pelo Irã, mas Teerã nega fornecer apoio militar.jj-mh/ras/pb/zm/tt

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