Publicado 13 de Agosto de 2018 - 18h30

Por AFP

O governo de Gibraltar anunciou nesta segunda-feira (13) que vai retirar sua bandeira do "Aquarius" depois de ter pedido que o navio suspenda suas atividades de resgate, pelas quais não está registrado no território britânico.Registrado em 2009 em Gibraltar como navio oceanográfico, o "Aquarius" operava desde 2016, depois de ter sido fretado pelas ONGs SOS Méditerranée e Médicos sem Fronteiras, "exclusivamente sob a direção das autoridades italianas nas operações de resgate", explica o governo em um comunicado.Mas "em junho e julho de 2018, a GMA (Administração Marítima de Gibraltar) demandou ao 'Aquarius' que suspendesse suas operações como embarcação dedicada ao resgate e revertesse seu estado de registro original como 'navio oceanográfico'", prossegue o texto.Após o anúncio de Gibraltar, a SOS Méditerranée denunciou "uma diferença artificial" que não tem "nenhum fundamento técnico", segundo um comunicado enviado à AFP."O 'Aquarius' sempre foi considerado apto para efetuar operações de resgate pelas autoridades competentes", informa a ONG."A autoridade marítima de Gibraltar registrou ela mesma o 'Aquarius' como navio de resgate na Organização Marítima Internacional", insiste.O governo de Gibraltar justifica sua demanda pela falta de "disponibilidade de portos de desembarque para diversos navios de resgate na área de resgate da Itália".O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, líder da ultradireitista Liga, rechaçou em várias ocasiões o acesso aos portos italianos de embarcações de ONGs.Gibraltar enviou em 6 de agosto às associações que fretam o "Aquarius" um "aviso de exclusão", tendo como data limite 20 de agosto.Nesse dia, "o navio deixará de constar no Registro de Gibraltar e reverteria a bandeira do Estado de seu proprietário subjacente, a Alemanha", continua.O "Aquarius" resgatou na sexta-feira 141 pessoas que viajavam a bordo em duas barcas de madeira, a metade das quais eram menores e mais de um terço, mulheres.Na segunda-feira, o navio humanitário estava entre Malta e a ilha de Lampedusa, na Itália, informou a presidente da SOS Méditerranée, Sophie Beau.Em junho, o "Aquarius" resgatou 630 migrantes perto da costa da Líbia. Itália e Malta se negaram a deixá-lo atracar em seus portos e sua odisseia acabou no porto espanhol de Valencia.

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