Publicado 13 de Agosto de 2018 - 16h40

Por AFP

O grupo farmacêutico Bayer penou nesta segunda-feira (13) na Bolsa de Frankfurt após a condenação nos Estados Unidos à gigante das sementes geneticamente modificadas Monsanto, que a firma alemã acaba de comprar a um preço elevado.Diante do risco de uma série de problemas legais, o título do grupo alemão despencou mais de 12% na Bolsa de Frankfurt, a 81,79 euros, com uma perda de mais 11 bilhões de euros de sua capitalização.Um tribunal de San Francisco condenou na sexta-feira a Monsanto a pagar quase 290 milhões de dólares de indenização a Dewayne Johnson, um jardineiro americano de 46 anos que garante que os produtos da Monsanto, especialmente o pesticida Roundup que utilizou durante anos, desenvolveu nele um câncer e que a multinacional ocultou sua peliculosidade.O grupo americano anunciou imediatamente sua intenção de recorrer, enquanto a Bayer, que concluiu a compra da Monsanto em junho por 63 bilhões de dólares, defendeu no sábado o glifosato como um produto inócuo, estimando que outros tribunais poderiam "chegar a conclusões diferentes".Essa declaração, entretanto, esteve longe de acalmar os investidores, preocupados com o impacto das contas da Bayer com os milhares de processos enfrentados pela Monsanto nos Estados Unidos, em distintas fases judiciais."Se cada julgamento perdido custa 250 milhões de dólares, não falta muito para que isso se transforme em algo suficientemente caro", disse à AFP Michael Leacock, analista da MainFirst.- Até 10 bilhões? -Segundo o analista, essa conta "pode facilmente chegar aos 10 bilhões de dólares" para o novo gigante da agroquímica, incluindo possíveis acordos amistosos com uma grande quantidade de demandantes.O banco Berenberg faz uma estimativa em um valor de menos da metade, de aproximadamente 5 bilhões de dólares, com base em litígios anteriores envolvendo o laboratório Merck, por seu anti-inflamatório Vioxx, e a própria Bayer, após a retirada do mercado de seu medicamento para o controle do colesterol Baycol.Além do risco jurídico direto, o novo grupo tem que enfrentar a incerteza sobre o futuro comercial deste produto estrela, vendido desde 1976 sob a marca Roundup."Se os consumidores considerarem perigoso, há um risco para as vendas no longo prazo", avaliou Leacock.Herbicida mais utilizado no mundo, desde que a patente da Monsanto caiu em domínio público em 2000, o RoundUp também é acusado de causar danos ao meio ambiente, contribuir para o desaparecimento das abelhas, e de ser um disruptor endócrino.Em junho, a Bayer havia anunciado que desapareceria com o nome da Monsanto, chamada por seus críticos de "Monsatã" ou "Mutante", após a aquisição da companhia americana. O anúncio foi, contudo, puramente formal, porque a Bayer comercializará exatamente as mesmas sementes e produtos fitossanitários, não compensa de modo algum as responsabilidades judiciais da Monsanto, nem as controvérsias que o cercam.- Aposta na agricultura -Neste contexto, segundo Michael Leacock, é "muito provável" que os investidores mantenham uma visão "muito sombria" do matrimônio Bayer-Monsanto e que o título do grupo alemão sofra "uma redução substancial em relação a seus pares".A Bayer, que se empenhou em adquirir a Monsanto ao ponto de triplicar o valor da oferta, se concentra na necessidade de produzir mais em superfícies limitadas, por meio de uma forma de agricultura cada vez mais intensiva.Essa aposta no longo prazo poderá se impor aos operadores "uma vez que tenham solucionado os litígios", advertiu o analista de MainFirst.Até o momento, a Bayer não quis informar se começou a se preparar para enfrentar os problemas judiciais da Monsanto.Já a firma de Saint-Louis publicou no final de agosto de 2017 a cifra de 277 milhões de dólares em provisões para seus custos legais, uma soma que ficou curta com a decisão de sexta-feira na Califórnia.jpl/cfe/glr/pb/age/cc/mvvMonsantoBayer

Escrito por:

AFP