Publicado 13 de Agosto de 2018 - 9h00

Por AFP

Milhares de iemenitas expressaram nesta segunda-feira sua revolta contra Arábia Saudita e Estados Unidos durante os funerais das crianças mortas em um bombardeio da coalizão internacional liderada pelas forças sauditas.A cerimônia fúnebre aconteceu na cidade de Saada, reduto dos rebeldes huthis no norte do Iêmen, segundo as imagens exibidas ao vivo pelo canal de TV Al Masirah, ligado aos rebeldes. O presidente do "Comitê Revolucionário", Mohamed Ali al-Huti, participou nos funerais, que viraram um grande protesto. O dirigente rebelde denunciou o "crime dos Estados Unidos e de seus aliados contra as crianças do Iêmen". Ao menos 29 menores de idade faleceram na quinta-feira passada durante um bombardeio aéreo contra um ônibus que circulava por um mercado muito frequentado em Dahyan, na província de Saada, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).Os rebeldes huthis divulgaram um balanço mais elevado. O "ministro" da Saúde huthi, Taha el-Moutawakel, anunciou 51 mortos, incluindo 40 crianças, e 77 feridos, a maioria menores de idade.Os caixões chegaram a uma grande praça de Saada a bordo de quase 50 veículos cobertos com bandeiras verdes. Os ataúdes, também cobertos de verde e com os retratos das vítimas, foram colocados no chão para a cerimônia funerária.A multidão gritou frases contra os Estados Unidos e Israel e denunciou "um crime dos sauditas contra a infância iemenita". O canal de televisão rebelde não informou o número de crianças sepultadas nesta segunda-feira.Após o violento bombardeio de 9 de agosto, a coalizão liderada pela Arábia Saudita anunciou que pretende iniciar uma investigação sobre o ataque.A guerra do Iêmen deixou 10.000 mortos desde a intervenção da coalizão liderada pelos sauditas em março de 2015 e provocou a "pior crise humanitária" no mundo, segundo a ONU. bur-mh/ras/feb/eb/zm/fp

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