Publicado 14 de Agosto de 2018 - 9h53

Por Maria Teresa Costa

Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico deve pedir hoje mais liberação de água, dependendo da situação verificada no local

Leandro Ferreira

Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico deve pedir hoje mais liberação de água, dependendo da situação verificada no local

A redução em 48% na vazão do Rio Atibaia nos últimos cinco dias levou o Sistema Cantareira a ampliar ontem a descarga de água no Rio Atibaia. A medida atendeu solicitação do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (CBH PCJ). A liberação foi aumentada de 2 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 6m³/s no Rio Atibaia (metade pela represa Atibaia e metade pela Cachoeira) e mantido 1m³/s no Rio Jaguari.

A Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico deve pedir hoje mais liberação de água, mas isso ainda vai depender de uma investigação que está sendo feita de suspeita de que alguma manobra pode ter ocorrido ao longo do rio, perto de onde a Sociedade de Abastecimento de Água e Abastecimento S/A (Sanasa) faz a captação, que fez baixar ontem a vazão do Atibaia. O volume que está passando no Atibaia não compromete o abastecimento.

O coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico, Alexandre Vilella, disse que em seis dias a vazão do Atibaia em Valinhos teve uma queda de 14m³/s, situação preocupante e que não ocorria há mais de dez anos. “Normalmente, depois da chuva, o rio sobe e depois vai baixando até 12, 13m³/s, para em seguida cair lentamente. Dessa vez houve uma queda muito rápida. No terceiro dia já tomamos a medida de aumentar a descarga do Cantareira”, disse.

Segundo ele, duas situações podem ter ocorrido para isso. Uma é a operação da pequena central hidrelétrica de Salto Grande, que fica no Atibaia, entre Campinas e Valinhos. Mas ele não acredita nesta hipótese, por causa da queda abrupta. Outra é o chamado efeito esponja – depois de longo período sem chuva, quando ela vem, o solo não consegue absorver a água e ela segue em frente pelo rio.

A Câmara Técnica está em contato com Jundiaí para ver a possibilidade de a cidade reduzir a captação no Atibaia. “Vamos aguardar até o final da tarde para avaliar como o rio vai se comportar e, se a baixa vazão se mantiver, amanhã (hoje) vamos solicitar mais liberação de água do Cantareira”, afirmou o coordenador-adjunto, Paulo Tinel.

O Rio Atibaia é responsável pelo abastecimento de 95% da população de Campinas. No final de semana, o manancial estava registrando uma vazão de 11,67m³/s no posto de monitoramento em Valinhos, situado a cerca de um quilômetro do ponto onde a Sanasa faz a captação no Rio Atibaia. Ontem, a vazão estava em 8,66m³/s, metade da média registrada no mês e 25,7% abaixo da média histórica para agosto.

O aumento da descarga do Cantareira foi pedido porque não há previsão de chuvas significativas em curto prazo e é preciso levar em consideração também o tempo de trânsito da água liberada entre os reservatórios e os usos.

No período de seca, como o que ocorre agora, a outorga do Cantareira garante que a vazão mínima a ser liberada para as Bacias PCJ será de 10m³/s, no posto de controle de Valinhos, e de 2m³/s, no posto de controle de Buenópolis.

O Sistema Cantareira continua operando na faixa de alerta (abaixo de 40% de sua capacidade de armazenamento, sem contar o volume morto). Ontem, o sistema estava armazenando 389 bilhões de litros, o equivalente a 39,7% da capacidade de volume útil. Este mês choveu 63,6 milímetros na região dos reservatórios do Cantareira, volume 84,5% maior que a média histórica de agosto.

As novas regras de operação do sistema definem que a Sabesp está autorizada a utilizar a vazão máxima média mensal de até 33m³/s do Cantareira. A operação do Sistema se dá por cinco faixas de consumo diretamente condicionadas ao nível do reservatório, sem incluir a reserva técnica. Hoje, com a operação no nível de alerta, a vazão máxima autorizada para abastecer a Grande São Paulo é de 27 m³/s.

Início de obras de represa já está marcado

O secretário Estadual de Recursos Hídricos, Ricardo Borsari, disse ontem em Campinas que até o final do mês deve assinar a ordem de serviço para o início da construção da represa no Rio Jaguari, entre Pedreira e Campinas. O governo aguarda a liberação, pela Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), da licença de instalação, que permitirá o início das obras.

A outra represa, prevista no Rio Camanducaia, em Amparo, ainda não conseguiu a outorga da Agência Nacional de Água (ANA) porque a qualidade do rio, com alta concentração de fósforo, impede seu uso para o abastecimento. As duas represas reduzirão a dependência da região de Campinas do Sistema Cantareira. De acordo com o projeto, o reservatório de Pedreira ocupará uma área de 2,1km² no Rio Jaguari e vai permitir uma vazão regularizada de 9,6 mil litros de água por segundo. O reservatório Duas Pontes, no Rio Camanducaia, deverá ocupar uma área de 4,6km² e vai permitir uma vazão regularizada de 9,8 mil litros de água por segundo, informa o Daee. As duas barragens serão executadas pelo Consórcio BP OAS/Cetenco, formado pelas empresas OAS Engenharia e Construção S.A. e Cetenco Engenharia S.A. A barragem de Amparo terá custo de R$ 196,09 milhões e a de Pedreira, R$ 230,9 milhões. As obras serão custeadas por um empréstimo de US$ 204 milhões junto a Corporação Andina de Fomento (CAF), tomado para implantação de um projeto de macrodrenagem em Guarulhos.

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Maria Teresa Costa