Publicado 11 de Agosto de 2018 - 22h33

Por Rogério Verzignasse

Entre os frequentadores estão pessoas muito jovens, que nunca foram seduzidas pelos eletroeletrônicos e não abrem mão de

Leandro Torres/AAN

Entre os frequentadores estão pessoas muito jovens, que nunca foram seduzidas pelos eletroeletrônicos e não abrem mão de "sentir o velho e bom cheirinho do livro impresso"

Tempos de internet. A garotada carrega o smartphone e se diverte correndo o dedo na tela. É, muita gente acredita que ninguém mais perde tempo procurando livros nas prateleiras. Engano. Pelo menos 250 pessoas circulam a cada dia pela maior biblioteca pública de Campinas, no prédio anexo à Prefeitura. Gente de sorte. Elas têm ali, ao alcance das mãos, clássicos da literatura mundial. E obras raríssimas. Há edições em português de romances escritos nos mais distantes rincões do planeta. E, a cada dia, pelo menos cem pessoas ainda “retiram” obras e as levam pra ler em casa.

Mas para manter os leitores e assimilar as “novas tecnologias”, a biblioteca teve que se modernizar e aprimorar os próprios serviços. Ao mesmo tempo que mantém a hemeroteca e a coleção de jornais, o espaço garante o acesso gratuito da garotada mais carente à sala informatizada. O incentivo à leitura é feito com rodas de debate, contação de histórias, eventos literários, exposições. E o acervo público se espalhava por repartições diferentes, adequando temas e produtos a faixas etárias e círculos específicos de leitores.

E as mudanças não param. Claro, a falta de dinheiro nos caixas públicos atrasam as intervenções planejadas. Já começou, por exemplo, o trabalho para a informatização de todo acervo, que vai facilitar demais o acesso a tantos tesouros escondidos. Em um ano, estima-se, o cidadão vai ter informações on-line sobre o conteúdo das prateleiras.

“Hoje, muita gente não vem retirar o livro porque não sabe, antecipadamente, os títulos que temos guardados aqui”, conta Renata Alexsandra, coordenadora setorial das bibliotecas. “O sistema informatizado vai facilitar a vida de que procura por um tema ou um autor específico.”

Profusão de idades e estilos

Enquanto o sistema informatizado não opera, quem domina mesmo o espaço são os “ratos de bibliotecas”. Pessoas que, no tempo livre, se divertem revirando as coleções e descobrindo preciosidades. Detalhe: entre eles há pessoas muito jovens que nunca foram seduzidos pelos eletroeletrônicos e não abrem mão de “sentir o cheirinho do livro impresso”. Como os amigos Matheus Brasil, de 18 anos; Maria Eduarda Lopes, de 17; e Kevin Guarnieri Sábio, de 22. Nesta semana, por exemplo, eles passeavam pelos corredores à procura de livros sobre filosofia. É, filosofia. Um trio de adolescentes. “Quem lê entende o mundo”, resume Matheus.

Também há marmanjos barbados e de cabelos brancos que passam o dia inteiro na biblioteca lendo gibis. É, as “releituras” gráficas de clássicos (como Superman e Batman) são febre entre os adultos. Os quadrinhos modernos, as charges e os mangás atraem legiões. Se mesclam literatura e arte. E, de olho nesse fenômeno, a direção da biblioteca implementa novos projetos.

Para incentivar a leitura da obra de Hilda Hilst, por exemplo, se criou uma galeria de arte, onde desenhos e fotos artísticas da escritora se misturam a versos. “Quem se encanta com as imagens, descobre a beleza da poesia”, fala a bibliotecária Suze Elias, bibliotecária do setor.

Pela galeria de arte circularam os amigos Carlos Tiokal e Marlei Cabanhes, que integram a Academia Louveirense de Letras. A senhora, que assume cadeira que tinha como patrona a poeta e dramaturga Hilda Hilst, fez questão de visitar a mostra e anotar os versos que vão ilustrar seu próprio discurso. “A exposição é uma chance maravilhosa para as pessoas conhecerem os versos dessa escritora genial, que viveu e trabalhou em Campinas”, disse o acadêmico. 

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Rogério Verzignasse