Publicado 11 de Agosto de 2018 - 22h19

Por Alenita Ramirez

Cardiologista Silvio Giopatto explica que o corpo faz tudo para manter o calor interno e sobrecarrega o órgão

Matheus Pereira/Especial para AAN

Cardiologista Silvio Giopatto explica que o corpo faz tudo para manter o calor interno e sobrecarrega o órgão

A incidência de enfarte agudo do miocárdio, ou popularmente conhecido como ataque cardíaco, aumenta 30% no Inverno, segundo alerta os especialistas. Já a taxa de casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), conhecido por derrame, sobem 20% nesta época do ano. Cerca de 100 mil pessoas morrem ao ano no Brasil vítimas por doenças do coração, ou seja, um óbito a cada 40 segundos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Os riscos no Inverno sobem principalmente quando a temperatura está abaixo dos 14 graus. A estimativa é que a cada dez graus de queda na temperatura haja um aumento de 7% no índice de enfartes.

Isso acontece, segundo o cardiologista intervencionista, Silvio Giopatto, da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), porque o organismo faz de tudo para manter o calor interno do corpo entre 36,5ºC e 37º C.

Quando as terminações nervosas da pele se ressentem com o frio, estimulam a produção de um tipo de catecolamina, substância que, entre outras funções, acelera o metabolismo para evitar a perda de calor, como forma de proteger o funcionamento de órgãos vitais internos. Este mecanismo faz com que as paredes dos vasos sanguíneos, que irrigam a pele, se contraiam.

Mãos, pés, nariz e orelhas esfriam e o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue. “Somos seres de sangue quente e para manter a temperatura dentro dos valores aceitáveis do corpo gasta-se mais energia. Esse fator está associado ao fenômeno de vasoconstrição, no qual os vasos se contraem, mantendo assim a circulação sanguínea na parte central do corpo, causando uma sobrecarga no coração, fazendo trabalhar com mais força para atender as necessidades cardíacas”, explica Giopatto.

Como nesta estação, as pessoas sentem menos sede, tendem a ingerir menos líquido e desidratam. Em razão disso, o sangue fica mais denso e viscoso, coagulando mais facilmente, o que colabora também para o aumento da pressão sanguínea.

O ataque do coração é decorrência do entupimento de uma artéria. Isto acontece devido ao acúmulo de gordura que se deposita na parede da artéria do coração, dificultando a circulação sanguínea e facilitando a formação de coágulos que podem bloquear a passagem do sangue.

De acordo com os especialistas, todas as pessoas correm riscos de infarto, entretanto as chances aumentam principalmente em pessoas mais velhas e com doenças coronarianas. Mulheres acima de 50 anos e depois da menopausa também são as que mais apresentam predisposição. “Existe o grupo de risco e também o de fatores modificáveis, que são os hipertensos, diabéticos, de colesterol alto, fumantes, obesos, sedentários e de estresse. No primeiro grupo, não tem como mudar, mas no segundo, a pessoa pode controlar e tomar medidas que previnem, como práticas de exercícios, mudanças na alimentação ente outros”, orientou Giopatto. “Dentro do grupo de modificáveis, a chance de um infarto aumentam muito para o diabético e o fumante”, revela o cardiologista intervencionista. 

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Alenita Ramirez