Publicado 28 de Fevereiro de 2018 - 16h41

Por Adagoberto F. Baptista

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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O prefeito de Paulínia, Dixon Carvalho (PP), já foi notificado pela Comissão Processante (CP), e terá dez dias para apresentar defesa prévia, por escrito e indicar provas que pretende produzir, além de arrolar no máximo dez testemunhas, no processo instaurado na Câmara Municipal e que poderá levar à sua cassação. A comissão investiga compra de votos envolvendo Dixon e 13 dos 15 vereadores acusados de acobertarem atos criminosos do prefeito em troca de vantagens indevidas.

A CP também vai investigar os vereadores, deverão ser notificados entre hoje e amanhã, de acordo com o presidente da comissão, Tiguila Paes (PPS). A instalação de uma CP foi aprovada na noite de segunda-feira, após decisão da Justiça que anulou a sessão ocorrida em agosto e que rejeitou o pedido de instalação de Comissão Processante (CP), feito pelo sargento aposentado Luis Roberto de Lima, contra o prefeito Dixon Carvalho e parte dos vereadores. Na decisão, o juiz determinou a convocação de nova sessão extraordinária e a convocação dos suplentes em 48 horas, para que deliberassem sobre a instalação do processo de investigação.

Os 13 vereadores estão afastados das funções até o final da Comissão Processante, que deve ocorrer em 90 dias. Os suplentes ficam nos cargos nesse período.

A crise política em Paulínia começou em abril do ano passado com nomeações para cargos de confiança da Prefeitura. No mês seguinte, os vereadores rejeitaram a instalação de CPIs para investigar contratos emergenciais de lixo e merenda suspeitos, assinados pelo prefeito Dixon Carvalho e surgiu então a denúncia de que o engavetamento da investigação pela Câmara foi a moeda de troca pela contratação de 68 pessoas para cargos na Prefeitura. A denúncia está sendo investigada pelo Ministério Público.

Ao barrar as aberturas de comissões, diz a denúncia feita pelo sargento aposentado Luís Roberto de Lima, os vereadores impediram que o chefe do Executivo fosse investigado sobre supostos crimes de responsabilidades, quebra de decoro, além de corrupção ativa e passiva. O sargento foi então à Justiça e em uma decisão inédita na história da política municipal, o juiz da 1ª Vara de Paulínia (SP), Carlos Eduardo Mendes, determinou que 13 dos 15 vereadores fossem substituídos por suplentes e uma sessão extraordinária votasse a proposta de abertura de uma Comissão Processante que pode resultar nas cassações de Dixon e dos 13 vereadores.

Enquanto isso, outra investigação aberta na Câmara, para apurar denúncia de que o vice-prefeito Sandro Caprino (PRB) recebe sem trabalhar, ficará parada, até que seja votado o relatório que irá indicar, ou não, a cassação do prefeito e dos 13 vereadores.

Com o afastamento dos vereadores, o vice-prefeito ganhou pelo menos mais três meses para começar a responder às investigações. Ele foi denunciado por Márcio Rosa Santos, assessor de políticas públicas e vinculado ao gabinete do vice, que o acusa de receber salário de R$ 7,7 mil, sem trabalhar. Segundo a denúncia, ele deixou de realizar tarefas do cargo e há oito meses não vai ao Paço.

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Adagoberto F. Baptista