Publicado 28 de Fevereiro de 2018 - 16h38

Por Adagoberto F. Baptista

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

[email protected]

Servidores municipais fizeram filas ontem no sindicato da categoria para protocolar pedido de cancelamento da cobrança da contribuição sindical em folha. A cobrança foi aprovada em assembleia na última sexta-feira e passou a valer para os 16,9 mil servidores. Ontem, mais de 200 funcionários esperaram debaixo de sol por mais de duas horas para pedir o cancelamento da cobrança. A contribuição foi extinta com a reforma trabalhista e cabe às categorias, em assembleia, decidir se querem ou não pagar.

A crítica dos servidores é que a assembleia de sexta-feira não foi representativa, uma vez que apenas cerca de 200 servidores participaram. Antes da reforma trabalhista, apenas os funcionários contratados em regime de CLT contribuíam. Agora, com a aprovação na assembleia, os estatutários também passarão a pagar, saindo de 970 para 16,9 mil o número de servidores que terão desconto em folha.

Para receber os pedidos de cancelamento da contribuição, o sindicato disponibilizou apenas um funcionário para a tarefa, criando uma dificuldade que, muitos servidores, entenderam como proposital, para levar a desistência do pedido. “Estou há mais de uma hora nesse sol. Não há sanitário, nem água e parece que é de propósito, para a gente desistir”, disse o servidor Carlos Henrique, que pediu para não ter o sobrenome divulgado. Ele afirmou que só tomou conhecimento da assembleia depois que ela já havia ocorrido. “A maioria dos servidores não sabia da convocação”, afirmou. A chamada para a assembleia ocorreu com a publicação de um edital em jornal de Americana. O Correio não conseguiu contato ontem com o Sindicato dos Servidores.

A servidora Ana Helena criticou o despreparo do sindicato para atender quem quer pedir o cancelamento da cobrança da contribuição sindical. “Já tem quase duas horas que estou na fila para fazer um procedimento simples, que é assinar um documento informando que não quero contribuir. Não tem sentido tanta demora. O sindicato devia ter se preparado para isso, porque sabia que muito gente viria aqui hoje”, afirmou.

A reforma trabalhista entrou em vigor há três meses e proíbe a contribuição obrigatória. As principais centrais sindicais do País estão orientando suas filiadas a realizarem assembleias extraordinárias com o objetivo de colocar em votação a continuidade da contribuição. Elas defendem que, se a contribuição for aprovada em assembleia, ela se torna válida para todos os trabalhadores da categoria, um entendimento que não é unânime. Para governo, o trabalhador que deseja fazer a contribuição deve se manifestar de forma individual para a empresa. A discussão está no Supremo Tribunal Federal (STF).

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista