Publicado 27 de Fevereiro de 2018 - 13h33

Por Adriana Villar

Beatriz Maineti,

especial Agência Anhanguera

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A ONG Fraternidade Sem Fronteiras com subsede em Campinas iniciou uma campanha emergencial de arrecadação de alimentos não perecíveis e itens de higiene básica destinados aos refugiados venezuelanos amparados pela organização. O centro de acolhimento para os refugiados está localizado em Boa Vista, no estado de Roraima, e um homem de Americana disponibilizou, voluntariamente, uma carreta, que levará as doações. Atualmente, a organização atende cerca de 159 venezuelanos que vieram fugidos da Venezuela devido aos conflitos políticos no país. Essa ação integra a Campanha “Brasil: um coração que acolhe”, desenvolvida pela organização em prol dos refugiados desde o ano passado. A campanha será promovida até 10 de março.

A Organização Não Governamental Fraternidade Sem Fronteiras foi criada em 2009 pelo ator Wagner Moura, após uma viagem a Moçambique. Desde então, a organização atua através do apadrinhamento de crianças em Moçambique e Madagascar, além de ações com crianças com microcefalia no nordeste brasileiro, e recebem recursos oferecidos pela ONG. Só na África, são cerca de 14.000 crianças apadrinhadas pelo projeto e colocadas em centros de acolhimento, onde recebem refeições diárias, assim como amparo familiar e educacional. Além disso, a organização procura valorizar, também, a estrutura física da comunidade, construindo, por exemplo, poços de água potável.

No Brasil, a relação com os refugiados venezuelanos começou após o grande fluxo de pessoas que recorreram ao país após a situação política instável na Venezuela. Assim, a Fraternidade Sem Fronteiras sentiu a necessidade de atuar nessa área, reconhecendo, primeiramente, os refugiados e, sem seguida, oferecendo amparo estrutural, familiar e educacional. Segundo o voluntário da ONG Thiago Gonçalves, de 33 anos, as famílias foram colocadas em barracas no centro de acolhimento em Roraima, onde tem acesso a refeições diárias, banheiro comunitário, e até mesmo salas para atividades pedagógicas. “No centro, são oferecidas aulas de português para adultos e crianças, para que eles possam se sentir parte do país. Afinal, o idioma é o primeiro passo para qualquer relação de trabalho, ou até mesmo pessoal”, afirma o voluntário. “Para as crianças, as aulas servem para mantê-las em contato com a educação. Já para os adultos, é a oportunidade de vislumbrar uma nova vida em um novo país”, conta Thiago.

Segundo Thiago, a campanha de arrecadação de alimentos e produtos de higiene básica se concentrou em Campinas devido a uma campanha de sucesso anterior, e ao grande número de parceiros feitos pela ONG na cidade. “Concentrando a ação por aqui, procuramos não contagiar apenas pessoas que já são padrinhos da fraternidade na região, mas também estimular a fraternidade nos moradores da cidade” afirma Thiago. O voluntário salienta, também, que, além dessa campanha emergencial, a ONG Fraternidade Sem Fronteiras também possui um bazar, localizado na Rua Costa Aguiar, número 73, no Centro, onde as doações devem ser entregues. As doações só poderão ser feitas aos sábados, das 8h às 13h, durante o horário de funcionamento do bazar.

Além da campanha emergencial para a arrecadação, a organização está organizando, também, uma campanha para atrair novos voluntários que se disponibilizem a cuidar do bazar, para que ele possa estar aberto ao público por mais dias na semana. “Toda a arrecadação do bazar vai para as crianças na África e para o centro de acolhimento em Boa Vista. Se deixarmos o bazar aberto ao público por mais tempo, nossa arrecadação vai aumentar”, comenta Thiago. Segundo o voluntário, a pessoa interessada poderia entrar em contato com a instituição, visitar o bazar e, então, disponibilizar um horário de seu tempo livre para se dedicar ao bazar.

De acordo com Alba Gonzáles, coordenadora do centro de acolhimento da ONG Fraternidade Sem Fronteiras, essa ação é uma nova esperança para os refugiados. “Após caminharem por dias, trazendo consigo sonhos de uma vida melhor e uma mala de esperança, os imigrantes se deparam com a dura e cruel realidade. Boa Vista não é o lar dos sonhos. As pessoas choram sentadas nas calçadas quando percebem que não sabem o que fazer”, conta a coordenadora.

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Adriana Villar