Publicado 26 de Fevereiro de 2018 - 17h58

Por Delminda Aparecida Medeiros

Livro resgata época de ouro das orquestras de baile

Delma Medeiros

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Nos anos 1940 a 1960, os bailes eram a principal opção de laser das cidades interioranas. E como era difícil que músicos da capital se deslocassem para o interior, muitas orquestras surgiram para suprir essa lacuna. A história de parte desses grandes conjuntos orquestrais é resgatada no livro Big Bands Paulistas: História de Orquestras de Baile do Interior de São Paulo, do professor e colecionador José Ildefonso Martins e do jornalista e escritor José Pedro Soares Martins, uma publicação da Edições Sesc São Paulo. A obra registra em textos e imagens a atividade desses grupos ao longo de quase quatro décadas.

Tinha um pequeno acervo sobre as orquestras paulistas e conversei com o gerente do Sesc há algum tempo propondo uma exposição. Ele gostou da ideia e propôs aprofundarmos a questão. Me juntei ao José Pedro e iniciamos a pesquisa, buscando orquestras no interior mesmo. Tanto que num primeiro momento chamamos o trabalho de Big Bands Caipiras”, conta Ildefonso. “Nos anos 40 e 50, praticamente trem era o único meio de transporte, por isso orquestras de São Paulo não iam para o interior. A solução foi as cidades criarem suas próprias orquestras. E elas foram se profissionalizando, trabalhando com regularidade. Teve casos de orquestra que em um ano tocou em torno de 180 vezes, era um dia sim um dia não”, diz Ildefonso. Segundo o professor, o sucesso foi tanto que músicos de São Paulo se mudavam para o interior pela grande oferta de trabalho.

O livro abarca o período de 1940 a 1970 e foca sua pesquisa em 13 grandes orquestras. “Buscamos orquestras em cidades a mais de 200 quilômetros de São Paulo. Como o foco é o interior, deixamos fora o Vale do Paraíba e o litoral. Mesmo na região de Campinas, a cidade mais próxima é Rio Claro”, diz Ildefonso, citando que a pesquisa envolveu apenas big bands, conjuntos com naipe de metais, mais de dez integrantes e que tivessem material. “Encontramos algumas, mas sem qualquer material que pudéssemos aproveitar.”

O livro teve seu primeiro lançamento da Casa das Edições Sesc durante a 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e chega agora a Campinas, cidade onde moram os autores. Após o lançamento hoje, no Sesc Campinas, haverá bate-papo com os autores seguido de show-baile com Arley e Sua Orquestra, de Catanduva, uma das três, das treze pesquisadas, que continua em atividade desde a década de 50. Além desta, estão ainda na ativa as orquestras Sulamerica, de Jaboticabal, e Leopoldo, de Tupã.

Big Bands Paulistas resgata a memória musical do Estado por meio da emblemática história de suas big bands, que durante décadas foram a grande atração das mais diversas festas e comemorações que aconteciam pelas cidades do interior, quase sempre organizadas em torno de bailes, os maiores acontecimentos sociais nessas cidades. Os autores também se debruçam sobre o contexto sociocultural em que essas orquestras estavam inseridas, em meio ao clima de desenvolvimento, euforia e otimismo que dominou o país entre as décadas de 1940 e 1970. “Também levantamos que, ao contrário do que se pensa, os clubes não eram elitistas. Claro que têm os que são ligados a esportes de elite como tênis, hipismo, que são mais sofisticados. Mas a maior parte era formada por clubes populares, militares e de empresas. Eram a grande opção de lazer das cidades e a atividade mais importante eram os bailes.”

Elemento

Resgatar a época de ouro das big bands paulistas constitui o objetivo principal deste livro. Não deixa de ser um tributo àqueles que, com seu trabalho, fizeram parte de um momento mágico da música, da dança e da socialização em um período de profundas transformações na sociedade brasileira”, afirmam os autores na introdução do livro.

Saiba mais

Os autores definiram quatro critérios principais para selecionar os conjuntos orquestrais que foram detalhados no livro, com direito a algumas exceções: a definição das orquestras de baile, que geralmente têm entre 15 e 20 músicos, incluindo um naipe de metais completo (trompetes, trombones, saxes e clarinetas), seção rítmica com guitarra, baixo, bateria e piano (ou equivalente), um ou dois cantores e poucos instrumentos eletrificados; a localização geográfica das cidades onde estavam sediadas, obrigatoriamente no interior de São Paulo e a mais de 200 km da capital; a época e longevidade de sua atuação, optando-se por conjuntos com maior tempo de atuação a partir dos anos 1940, com ênfase nos anos 1950 e 1960; e o acervo encontrado, ou seja, a disponibilidade de documentação consistente.

O trabalho mapeou o dia a dia de 13 orquestras de nove cidades do interior do Estado sediadas em Catanduva, Espírito Santo do Pinhal, Franca, Guararapes, Jaboticabal, Jaú, Rio Claro, São José do Rio Preto e Tupã. (DM/AAN)

Serviço: Big Bands Paulistas: história de orquestras de baile do interior de São Paulo. Autores: José Ildefonso Martins e José Pedro Soares Martins. Publicação da Edições Sesc São Paulo.232 págs., R$ 60,00.

Agende-se

O quê: Lançamento do livro Big Bands Paulistas: história de orquestras de baile do interior de São Paulo

Quando: Hoje, às 19h30

Onde: Área de Convivência do Sesc Campinas (Rua Dom José I, 270/333, Bonfim, fone: 3737-1500)

Quanto: Entrada franca

Escrito por:

Delminda Aparecida Medeiros