Publicado 26 de Fevereiro de 2018 - 15h44

Por Rogério Verzignasse

ÍíAMBIENTE ||| REVITALIZAÇÃO

Reforma do Ecológico fica no papel

Prometidas desde o começo do mês, intervenções são orçadas em R$ 1 milhão

Administração

sonha

com público nas

alamedas vazias

Rogério Verzignasse

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Anunciada com pompa pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) ainda no dia 4 de fevereiro, a revitalização do Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, ainda não saiu do papel. Apesar de já existir uma ordem de serviços assinada, e de uma placa imensa na portaria anunciar investimento milionário no projeto, nem existe um canteiro de obras montado. Os operários ainda estão sendo contratados pela incorporadora responsável, e não existe nenhuma previsão sobre quando as intervenções vão começar de fato.

Quem se arrisca a passear pelo parque encontra a paisagem de sempre: quadras vazias, equipamentos largados, alamedas desertas.

A revitalização é vista, pela própria Administração, como essencial para a conquista do público. Com recursos que chegam do Estado, foi prometida a reforma completa de seis quadras poliesportivas, duas pistas de caminhada, um campo de grama uma pista de skate e um campo de bocha. As obras estão orçadas em R$ 1,07 milhão e, pelo menos teoricamente, devem estar concluídas em seis meses, ou sejam, no final de julho. Do montante previsto, o Município entra com uma contrapartida de R$ 188 mil.

Depois de concluída esta etapa, outros R$ 7 milhões serão investidos em intervenções estruturais, como a reforma de um casarão histórico, remanescente do ciclo cafeeiro. Também será recuperado todo o alambrado do parque, os sanitários e o prédio do antigo restaurante, que deve ser reativado.

Mas a regra do convênio é clara. O dinheiro da segunda etapa só vem quando a Prefeitura prestar contas sobre as obras da primeira. E o Município, nas novas intervenções, vai arcar com uma contrapartida maior, equivalente a 20% do montante.

Ações emergenciais

A revitalização, com recursos que chegam da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, promete, finalmente, levar mais frequentadores ao parque. Apesar de imenso – são 1,1 milhão de metros quadrados – o Ecológico nunca teve muitos visitantes. O abandono, as queimadas frequentes e a insegurança afastavam o público. Havia assaltos. Até um caso de estupro apavorou a cidade em meados do ano passado.

Por conta do cenário, algumas melhorias pontuais já chegaram a ser feitas pela própria Prefeitura, como a recuperação de canteiros e a instalação de holofotes. As medidas, segundo a Prefeitura, já conseguem levar ao parque gente que nunca tinha se aventurado por lá. O Ecológico até ganhou uma agenda de eventos esportivos, culturais e gastronômicos. Hoje o parque conta com um esquema especial de vigilância, com a presença ininterrupta de viaturas da Guarda Municipal.

O NÚMERO

6 milhões

DE REAIS

São gastos anualmente para a manutenção do parque.

BOX

Área da antiga fazenda Mato Dentro, depois incorporada à Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo como estação experimental do Instituto Biológico (a partir de 1937), o Ecológico passou pela administração da Secretaria do Estado do Meio Ambiente e, desde 2014, precisa ser mantido pela Prefeitura. O parque nasceu de um Decreto do Governo Estadual de 1987 com o propósito de preservar e recuperar valores arquitetônicos e paisagísticos da gleba. Á área tem projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. A implantação do visou a recuperação e repovoamento vegetal de 2,85 milhões de metros quadrados, com uma área de 1,1 milhão de metros quadrados aberta ao público. Há espécies nativas da região, exemplares da flora brasileira e elementos exóticos, em especial as palmeiras.

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Rogério Verzignasse