Publicado 26 de Fevereiro de 2018 - 14h30

Por Adriana Villar

Beatriz Maineti,

especial Agência Anhanguera

[email protected]

O evento de premiação do concurso MPT na Escola 2017 – Etapa Regional, realizado pelo Ministério Público do Trabalho na última sexta-feira (23), premiou 26 alunos do ensino fundamental da rede pública da Região Metropolitana de Campinas. O concurso, com tema sobre o trabalho infantil, consagrou os alunos em seis categorias, conto, curta-metragem, desenho, esquete teatral, música e poesia, e, acima de tudo, conscientizou as crianças sobre a temática. Segundo os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2016, 1,8 milhão de crianças e adolescentes com idade média entre 5 e 17 anos trabalhavam no Brasil. Ao todo, sete escolas da região participaram do projeto, sendo elas Americana, Campinas, Sumaré, Limeira, Indaiatuba, Mogi Guaçu e Atibaia. A premiação deu, para os alunos, uma bicicleta, além do troféu e da medalha, e um tablet para o professor coordenador de cada projeto.

Ainda de acordo com a pesquisa, a média de horas semanais das crianças e adolescentes chegava a 25,3 horas por semana. Cerca de 30 mil crianças entre 5 e 9 anos de idade estavam trabalhando no ano em que a pesquisa mais recente foi realizada, enquanto 160 mil, entre 10 e 13 anos, estavam na mesma situação. Deste total, apenas 26% recebiam remuneração, sendo que o rendimento mensal médio foi de R$ 141 para os meninos, e R$ 112 para as meninas. Segundo a PNAD, 46,7% das crianças estavam envolvidas em atividades agrícolas durante o ano da pesquisa, enquanto 24,7% em segmentos como construção, indústria, serviços e transportes, 21,4% no comércio e 6,3% no trabalho doméstico.

O projeto MPT na Escola, além do concurso, promove atividades dentro de sala para todos os alunos, onde é apresentado o conceito do trabalho infantil, as formas de proibição e as normas protetivas da criança e do adolescente. Além disso, os professores também informam aos alunos que é proibido o trabalho antes dos 16 anos fora do sistema de aprendizagem, o trabalho noturno, insalubre, perigosos, e aqueles contidos no decreto federal nº 6.481/08, que define os piores tipos de trabalho infantil. Durante o projeto, os professores desenvolvem atividades que buscam informar os alunos através de trabalhos culturais, e os melhores trabalhos são premiados em etapas regionais e nacionais.

O procurador do MPT e vice-coordenador nacional do combate ao trabalho infantil, Ronaldo Lira, afirma que o projeto visa informar sobre um tema tão complexo com a classe mais atingida pelo problema. “A rede pública atende a classe social mais atingida pelo trabalho infantil, e precisamos, primeiro de tudo, passar a informação para eles. Entretanto, nós buscamos, também, mostrar uma alternativa a essa situação”, afirmou o vice-coordenador. Lira afirma que o ideal seria ocupar a criança com atividades, como artes e esportes, por exemplo, para que ela não ficasse na rua. “Nesse período sem atividades é onde elas estão mais expostas a exploradores, que podem aliciá-las e oferecer um trabalho, que elas acabam aceitando”, conta Lira. Segundo ele, isso gera uma grande evasão escolar, e é preciso combater esse problema usando a educação. “Vamos mudar nosso país através da educação”, defende o procurador do MPT. Por isso, segundo Lira, o projeto é importante para conscientizar as crianças dos riscos e consequências do trabalho infantil.

Idelma Cristiane de Medeiro Santos, de 42 anos, é mãe de Pedro Alexandre dos Santos, de 11 anos, que ganhou o prêmio na categoria poesia, com “Trabalho Infantil? Nunca!”. Segundo a mãe, Pedro sempre foi um garoto consciente desse problema, e isso se deve muito a conversas que ele tem com a mãe. “Eu procuro conversar bastante com ele, falo sobre quando eu era crianças e como as coisas eram diferentes. Ele se interessa muito, e se coloca muito no lugar do outro. Tem uma empatia muito grande”, afirmou a mãe. Segundo ela, o garoto desenvolveu as atividades em sala, assim como a poesia que garantiu o prêmio, e isso se deve as orientações que recebeu em sala. Idelma afirma que a felicidade do menino ao receber o prêmio foi muito grande, e que seus colegas o incentivaram muito. “Os próprios colegas o incentivaram, chamando a professora para ler o que ele escrevia e comemorando com ele sua vitória”, comentou, orgulhosa, a mãe de Pedro. “Mostrei para o meu filho o quanto o estudo dele compensou, e isso é muito bacana. Incentivar a educação das crianças é muito necessário”, concluiu Idelma.

Outro aluno premiado, João Afonso Justino, trouxe orgulho para a mãe, Genilda de Godoi Justino, de 37 anos. Segundo Genilda, o esforço de seu filho foi recompensado com o prêmio na categoria de curta-metragem, onde ele e outros colegas da escola produziram o curta “O Trabalho Infantil Não É Brincadeira Não”. “Além de ter ganho a bicicleta, o troféu e a medalha, ele aprendeu a valorizar suas coisas”, comentou a mãe. Genilda ainda afirma que o filho, competitivo, direcionou seus esforços para algo produtivo. “Ele não gosta de perder, e isso se reflete nas notas dele. Ele é muito estudioso”, afirmou Genilda.

Escrito por:

Adriana Villar