Publicado 27 de Fevereiro de 2018 - 19h05

Está na rua um CD diferençiado: Integridade (independente: [email protected]), gravado por Felipe Cerquize e Claudio Nucci.

Claudio Nucci tem trajetória musical conhecida. Ex-integrante do quarteto vocal Boca Livre, é dono de uma belíssima voz, da qual brotam agudos suaves que parecem desgarrados de uma brisa que desce de Lumiar e ecoa no Leblon.

Mas quem é Felipe Cerquize? Ora, quem é Felipe Cerquize... O cara não é um, é múltiplo: compõe letras e músicas e escreve poemas e livros. E agrega pessoas num grupo na internet, o Cardiem, fazendo-o de ponte para unir aqueles que os muros da vida apartam.

Integridade transparece ser um disco feito com carinho: cada detalhe muito bem pensado; cada compasso, cada verso, burilado com talento. Para as diversas participações especiais, e de peso, fizeram convites criteriosos e, não à toa, todos disseram um solidário e musical “sim”.

Produzido por Claudio Nucci e Rafael Lorga, a qualidade musical do CD é máxima. Com cinco instrumentistas, mais os violões de Nucci (ele que canta todas as faixas), as músicas vêm e se apossam do ouvinte de tal maneira que o sujeito passa de ouvinte a cúmplice.

Das dez músicas, todas de Nucci e Cerquize, apenas uma tem um terceiro parceiro, Roberto Menescal. E por falar em parcerias, logo na faixa-título, Integridade, Cerquize participa cantando (e muito bem) seus versos, acompanhando Nucci: (...) Basta termos certeza/ Do que desejamos/ Só desse jeito enfrentamos/ Nossos próprios desmazelos (...).

(...) Meus olhos brilham porque acreditam/ Que o silêncio é uma transição/ Que começa na minha garganta/ E termina no meu coração (...). Esses versos de Cerquize para Sempre Só, cantada respeitosa e belamente por Lenine, apontam a força da inspiração dos parceiros.

Em Olhos D’Água (Nucci, Cerquize e Roberto Menescal), sente-se a presença dos toques certeiros de Menescal – afinal, sua guitarra soa com 80 anos de virtuosismo: o intermezzo é digno do mestre.

Sentimentos tem a participação especial de Vicente Nucci, filho de Claudio. O cara canta bem! O arranjo tem belos momentos da gaita. No final, pai e filho abrem duas vozes, cujo som remete ao Boca Livre... Ê trem bão.

Certeza diz: (...) Se for por tudo que já fizemos a sós/ Passado e futuro vão se unir (...), versos acendidos pela voz de Nucci e pelo piano inovador de Antonio Adolfo.

Já Descarada é bem-humorada e balançada. A letra de Cerquize parece parida do mesmo ventre de onde veio a melodia de Nucci: gêmeas, elas se completam. Moyseis Marques canta e acrescenta picardia à música.

Zélia Duncan, assim como Lenine, canta respeitosa e belamente o samba lento Rio de Março, tributo à cidade tão maravilhosa quanto (ainda) abandonada.

E foi assim que Claudio Nucci e Felipe Cerquize desembarcaram do site Cardiem – lá onde as parcerias se multiplicam e a boa convivência é a tônica e a dominante –, para nos brindar com suas absolutas integridades musicais.