Publicado 27 de Fevereiro de 2018 - 5h30

O Brasil vive um momento delicado, resultado de uma sucessão de acontecimentos da política e da economia, com forte impacto na vida social. Desde a eclosão dos protestos de rua em 2013, passando pelo impeachment de Dilma, a formação de um novo governo e a maior recessão da história contemporânea, tudo isso permeado por mensalões, petrolões, dinheiro em malas e cuecas e uma profunda repulsa à elite política, os brasileiros têm sobrevivido com resiliência extrema. O desejo por mudança é forte e, por isso, as eleições que se avizinham terão uma carga emocional significativa.

Dentro desse esperado espírito beligerante e diante da grande polarização nacional, a campanha se encarregará de surpreender o eleitor, certamente, com farto material de ataques, denuncismo muitas vezes ancorado em citações superficiais, declarações mentirosas e histórias montadas, ou seja, um conjunto de fake news (notícias falsas) devidamente preparado por uma atuante guerrilha virtual.

Colabora para esse ambiente confuso e contaminado uma questão fundamental, que explica a grande dificuldade no enfrentamento das fake news, que é o viés de confirmação. Trata-se de um impulso natural, explicado em parte pela Psicologia, que nos leva a acreditar em notícias que confirmem nossas crenças e hipóteses iniciais. Essa força tende a conspirar contra o discernimento e o bom-senso, impedindo uma leitura crítica e desapaixonada.

Mesmo com iniciativas pontuais como a promessa dos gigantes da Tecnologia, como Facebook e Google, de combater as notícias falsas e da iniciativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de lançar um olhar atento a este fenômeno, usando estratégias de inteligência para monitorar e flagrar as fake news, o eleitor brasileiro terá um papel além do voto, uma contribuição cidadã ao não deixar-se servir de instrumento para a guerrilha e o jogo sujo.

São várias as táticas, desde as mais elementares como desconfiar de sites com nomes parecidos ao da grande imprensa e ficar alerta a histórias que não estejam presentes no noticiário dos veículos de credibilidade, até exercer o papel de checador da notícia, buscando o auxílio de agências de fact-checking. Elas se multiplicaram no mundo, oferecendo importante contribuição à democracia.

Cabe ao eleitor, ainda, ter a responsabilidade de não compartilhar informação sem o mínimo de critério, esta ação, inclusive, a mais desejada pelos criadores de fake news. Eles aproveitam a ingenuidade e o “piloto automático” de parte dos eleitores para ampliar sua rede de atuação. Contra as fake news, o melhor antídoto ainda é o jornalismo profissional, feito com técnica e equilíbrio.