Publicado 28 de Fevereiro de 2018 - 17h50

Por AFP

Os depoimentos entregues a procuradores peruanos no Brasil pelo ex-chefe da empreiteira Odebrecht no Peru, Jorge Barata, ameaçam complicar o ex-presidente Ollanta Humala e a líder opositora Keiko Fujimori.Durante um interrogatório feito pelo procurador peruano Germán Juárez em São Paulo, Barata ratificou na terça-feira que entregou cerca de três milhões de dólares a Humala para a campanha eleitoral que o levou ao poder em 2011. Basicamente reiterou algo que havia declarado em dezembro de 2016."A situação de Humala se complica porque não tem uma força que o respalde", disse à AFP o analista político Luis Benavente, diretor da consultora Vox Populi.Outro procurador peruano, José Domingo Pérez, interrogou nesta quarta-feira (28) Barata sobre contribuições ilegais a Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori e líder do partido Força Popular (direita populista), a maior força política do Peru.Coincidindo com os interrogatórios de Barata no Brasil, o presidente Pedro Pablo Kuczynski negou nesta quarta ter recebido dinheiro do ex-chefe da Odebrecht no Peru."Eu, Pedro Pablo Kuczynski, jamais recebi uma doação do senhor Barata. Eu não recebi nenhum financiamento de tal fonte para minhas campanhas presidenciais", escreveu no Twitter.- 'Entorpeciam a investigação' -Humala (2011-2016) e sua esposa, Nadine Heredia, estão em prisão preventiva há sete meses acusados de receberem cerca de três milhões de dólares da Odebrecht na campanha de 2011, e sua situação vai se complicar com o depoimento de Barata, consideram advogados."A Procuradoria já contaria com todos os elementos para realizar a acusação formal" contra Humala e sua esposa, declarou o ex-procurador Avelino Guillén ao jornal El Comercio. "Com o que foi dito pelo ex-CEO da Odebrecht no Peru o cerco se fecha" em volta deles."Atribuem a Ollanta Humala e Nadine Heredia a lavagem de dinheiro porque a quantia recebida (...) teria origem ilícita: o famoso Caixa 2 (da Odebrecht). Entretanto, o Ministério Público também poderia avaliar uma acusação por associação criminosa", declarou o ex-procurador Luis Vargas Valdivia também ao El Comercio."A declaração (de Barata) poderia confirmar que Humala e Heredia entorpeciam a investigação por meio de mentiras", acrescentou.Em uma tentativa de recuperar a liberdade, Humala e sua esposa apresentaram um recurso de amparo que deve ser analisado pelo Tribunal Constitucional nos próximos dias.- Colaboração de Barata -Os procuradores não revelaram o conteúdo do depoimento desta quarta-feira, mas El Comercio publicou em seu site que "Barata detalhou que a Odebrecht contribuiu com US$ 1.200.000 à campanha presidencial de Keiko Fujimori em 2011".Na segunda-feira, um tribunal peruano negou o pedido de Keiko e de seu marido, Mark Vito, para que a Procuradoria fechasse a investigação contra eles. Assim como Humala e sua esposa, enfrentam acusações por lavagem de dinheiro, que após o depoimento de Barata poderiam ser ampliadas.Keiko também enfrenta problemas em seu partido: 13 legisladores, liderados por seu irmão Kenji Fujimori, renunciaram ou foram marginalizados este ano, fazendo com que o Força Popular perdesse a maioria absoluta que tinha no Congresso.- Marcelo Odebrecht: 'apoiamos todos' -O escândalo da Odebrecht atingiu também o ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006). A Suprema Corte peruana resolverá na segunda-feira se autorizará sua extradição dos Estados Unidos.A Procuradoria acusa Toledo de ter recebido 20 milhões de dólares em propinas da Odebrecht para conceder a construção de uma estrada na Amazônia.Em novembro, o empresário Marcelo Odebrecht declarou que sua empresa apoiou vários políticos peruanos em suas campanhas, segundo um áudio publicado pelo site de investigações IDL-Reporteros."Com certeza apoiamos todos. Toledo, Alan García, Humala, Keiko", afirmou então Marcelo Odebrecht, que optou por colaborar com a Justiça brasileira, assim como Barata e outros executivos da empresa.Keiko e os ex-presidentes peruanos negam ter recebido doações da Odebrecht."De todos os investigados no caso o único dos ex-presidentes que está em prisão preventiva é Humala porque, de alguma forma, é o mais fraco (politicamente)", declarou o analista Benavente.cm/fj/ja/cb

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